A Companhia de Teatro Girassol de Moçambique apresenta, hoje, às 19h00, no Teatro Elinga, em Luanda, o espectáculo “(De)pressão Pós-Realidade”, no âmbito da XI edição do Circuito Internacional de Teatro.
A obra tem a direcção artística do encenador Joaquim Matavel, que, de acordo com a sinopse, propõe uma reflexão sobre a depressão, os impactos da vida urbana contemporânea e os conflitos emocionais que, muitas vezes, permanecem no silêncio.
A peça parte da história de um jovem casal residente em Maputo, explorando as pressões emocionais e psicológicas provocadas pelo quotidiano urbano. Por meio das personagens, o espectáculo mergulha no universo da depressão e questiona a exigência permanente de força e resistência perante as dificuldades da vida.
“Quando a realidade pesa, o palco fala” é uma das ideias centrais da produção, que se apresenta como uma peça sensível e de forte dimensão social. Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, o encenador e director da Associação Cultural Girassol de Moçambique, Joaquim Matavel, considerou “muito positivo” o balanço da implementação do Memorando de Cooperação assinado, há cerca de um ano, entre o Circuito Internacional de Teatro de Angola (CIT) e a organização moçambicana.
Segundo o responsável, o acordo veio formalizar uma relação que já vem sendo construída entre os agentes teatrais dos dois países, por via da ligação entre o Festival Internacional de Teatro de Inhambane (FITI), em Moçambique, e o CIT, em Angola.
“Na verdade, a assinatura do Memorando foi a oficialização de um trabalho que já vem acontecendo, ligando o teatro angolano com o teatro moçambicano por meio dos dois festivais”, explicou.
Joaquim Matavel sublinhou que o intercâmbio ultrapassa a circulação de companhias entre os dois países, permitindo igualmente a criação de redes com grupos de outros países que participam nos dois festivais.
A participação da Companhia de Teatro Girassol na actual edição do CIT constitui, de acordo com o director, um dos resultados concretos da cooperação estabelecida. A parceria, disse, tem também contribuído para o estreitamento das relações com companhias brasileiras e portuguesas, estando igualmente em perspectiva o envolvimento de países vizinhos de língua inglesa que participam regularmente no festival moçambicano.
“Recados de Lá”
A presença moçambicana no CIT inclui igualmente o grupo Lareira Artes, que apresentou, ontem, no mesmo local e hora, a peça “Recados de Lá”, uma obra com texto e encenação de Diaz Santana.
O espectáculo coloca em cena dois homens desconhecidos e traumatizados que, como fugitivos de guerra, procuram abrigo desesperadamente. Por meio do encontro entre as personagens, a produção aborda os efeitos dos conflitos armados e os dilemas humanos associados à violência, ao medo e à sobrevivência.
A participação das duas formações moçambicanas, segundo Joaquim Matavel, reforça a dimensão internacional do CIT.




