A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a desenvolver contactos diplomáticos para assegurar o regresso da Guiné-Bissau à ordem constitucional e à participação plena na organização, num contexto de incerteza política agravado pelo anúncio de que não estão reunidas as condições para a realização das eleições presidenciais previstas para 6 de Dezembro.
“Estamos todos a trabalhar de forma discreta e serena” para garantir o regresso da Guiné-Bissau à normalidade, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, defendendo uma transição que conduza a uma democracia “plena e funcional”.
Segundo a Lusa, o governante falava aos jornalistas em Bruxelas, ao lado do homólogo cabo-verdiano, Manuel Amante da Rosa, depois de questionado sobre a possibilidade de receber em Lisboa Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Rangel sublinhou que as recentes mudanças no cenário político guineense, incluindo o possível adiamento das eleições, exigem uma avaliação cuidadosa e capacidade de diálogo. Advertiu ainda que as mediações diplomáticas nem sempre podem decorrer publicamente, sob pena de comprometerem a sua eficácia, sem confirmar se receberá Simões Pereira em breve.
Por seu lado, Manuel Amante da Rosa manifestou preocupação com a situação e defendeu o diálogo entre as partes para encontrar uma solução política. O chefe da diplomacia cabo-verdiana questionou também as condições em que o escrutínio estava previsto decorrer, referindo a aparente ausência de observadores eleitorais.
A Guiné-Bissau está suspensa da participação nas actividades da CPLP desde Dezembro de 2025, na sequência do golpe militar de 26 de Novembro, que interrompeu o processo eleitoral antes da conclusão do apuramento dos resultados das eleições presidenciais e legislativas, realizadas a 23 de Novembro daquele ano.
A suspensão da CPLP mantém-se até à reposição da ordem constitucional, enquanto a falta de condições para a realização das eleições previstas para Dezembro coloca novos desafios à transição política e à reintegração do país na organização lusófona.
O novo impasse eleitoral prolonga a incerteza sobre o regresso à normalidade constitucional.




