A produção cinematográfica em Angola continua a enfrentar dificuldades devido aos custos elevados, à falta de financiamento e à escassez de técnicos especializados.
A preocupação foi apresentada esta terça-feira, em Luanda, por profissionais do sector, durante um encontro com o ministro da Cultura, Filipe Zau, que serviu para discutir os desafios e as perspectivas do cinema e do audiovisual no país.
O realizador de Cinema e Televisão Nguxi dos Santos explicou que produzir um documentário pode custar cerca de 15 milhões de kwanzas, tendo em conta despesas com viagens, alojamento, investigação e logística.
Nas produções de ficção, os custos podem subir para centenas de milhões de kwanzas. O realizador alertou que os elevados investimentos tornam mais difícil recuperar o dinheiro aplicado, sobretudo num mercado que ainda enfrenta limitações na distribuição e comercialização das obras.
O problema não se resume, no entanto, ao valor necessário para rodar um filme. Os profissionais defendem também a criação de melhores condições para financiar, produzir, distribuir e promover as obras angolanas, de modo a permitir que cheguem a outros mercados.
O realizador e actor Sílvio Nascimento defendeu uma nova geração do cinema angolano, capaz de produzir para o mercado nacional e alcançar outras geografias.
Segundo o actor, não é necessário começar apenas com grandes produções. Existem projectos que podem ser realizados com orçamentos entre 150 e 400 milhões de kwanzas, permitindo aumentar gradualmente a qualidade e a capacidade de produção nacional.
Sílvio Nascimento considera que Angola já dispõe de profissionais preparados para trabalhar nesses projectos, sendo necessário criar condições para que os recursos financeiros disponíveis se transformem em filmes e outras produções audiovisuais.
A necessidade de financiamento para o sector também aparece no Plano de Apoio e Promoção da Cultura (PLANACULT), que prevê medidas de apoio à produção audiovisual, distribuição e exibição de filmes, além da formação profissional. O documento identifica ainda a necessidade de reforçar as políticas de fomento ao cinema e de melhorar as infra-estruturas do sector.
Por outro lado, o agente cultural Kayaya Júnior chamou atenção para a falta de técnicos especializados que trabalham nos bastidores das produções. Defendeu a formação dos chamados “operários da cultura”, incluindo profissionais de som, imagem, iluminação, produção e montagem.
Os profissionais consideram que a combinação entre financiamento, formação técnica e melhores condições de produção pode ajudar a criar uma indústria cinematográfica angolana mais regular e capaz de competir fora do país.
A discussão ocorre num sector que, segundo dados oficiais citados no PLANACULT, tinha 40 produtoras inscritas e registou, em 2023, pedidos de licença para a rodagem de três longas-metragens e 18 curtas-metragens.




