Momentos de grande animação com danças tradicionais, cânticos, exibições de músicos, grupos folclóricos, apresentações do mukixi, gastronomia e mostra de artefactos marcaram, sábado, o encerramento do Festival Tradicional Mbunda. O certame, que visou a valorização da cultura deste povo, tinha arrancado na última segunda-feira, 28 de Setembro.
Durante cinco dias, membros da comunidade Mbunda, vindos de várias partes de Angola, da Zâmbia e da Namíbia, reuniram-se para os festejos de adoração aos ancestrais e de homenagem ao rei Mwene Mbandu V. A jornada esteve focada em encontros de reflexão sobre a produção agrícola, a caça, o dia-a-dia dos Mbunda na sociedade, os ensinamentos tradicionais e a união entre os povos.
No último dia, a dança, a exibição dos mukixi, os cânticos e os hinos tradicionais estenderam-se até à cerimónia final do evento, como forma de preservação, promoção e valorização da identidade cultural do povo Mbunda.
Mbunda Nguvu Kalunga, de 56 anos, proveniente da Zâmbia, referiu que a festa tradicional representa o respeito pelos ancestrais e que os seus ensinamentos continuam a ser muito valorizados nos dias de hoje. A autoridade tradicional contou que o evento, além de evocar os antepassados, serve para festejar a entronização do rei Mwene Mbandu V.
"A comunidade Mbunda da Zâmbia está muito alegre por estar em Angola a participar deste evento que representa a nossa cultura e tradições. Na Zâmbia, temos nove regedores que têm a responsabilidade de dar continuidade à nossa cultura", disse.
Para Nguvu Kalunga, um povo sem cultura é como uma pessoa sem valor: "Trouxemos produtos para oferecermos ao rei e à comunidade local. Hoje, vou dançar e cantar, porque isto representa a minha identidade."
O regedor Jamba Chilemu, de 47 anos, responsável pelo município do Ninda, disse que a festa Mbunda serve para a comunidade se reunir e reflectir sobre o passado, o presente e o futuro. "É o momento para estarmos unidos e reflectirmos sobre o que produzimos no ano passado, o que temos este ano e que perspectiva desenhamos para o futuro", destacou.
O historiador da cultura Mbunda, Pedro Kameia, apontou que a presente edição do festival representa a união com outras comunidades que residem em Angola: "Angola está em paz total. Precisamos que as comunidades tradicionais vivam em harmonia para ajudar o Governo a desenvolver o país em benefício da população angolana."




