O galerista Dominick Maia Tanner referiu que muitos artistas angolanos gostam de arte, mas ainda não a encaram como património, investimento ou responsabilidade cultural.
O produtor salientou, numa entrevista, a necessidade de reforçar a educação artística, aumentar a transparência do mercado, criar incentivos fiscais e implementar Políticas Públicas que promovam museus, fundos de aquisição de obras e um mercado secundário sólido.
O galerista, curador e produtor Dominick Maia Tanner, à frente do ELA – Espaço Luanda Arte há uma década, fez um balanço dos seus 18 anos de trabalho em Angola, numa entrevista à Revista Chocolate Lifestyle. Considera que o seu maior contributo foi demonstrar que a arte pode ser gerida de forma profissional e sustentável, num sector onde encontrou talento e produção curatorial de qualidade.
Para que Luanda se afirme como referência artística em África, o curador defende a criação de um Museu de Arte Moderna e Contemporânea, de uma Bienal Internacional e de programas nacionais de residências artísticas, associados a uma programação cultural permanente ao longo do ano. Na sua visão, o principal desafio actual deixou de ser organizar exposições para passar a ser construir instituições, já que, “uma exposição termina quando encerra” enquanto “uma instituição permanece para as próximas gerações”.
O responsável do ELA defende que o verdadeiro sucesso do sector chegará quando um jovem artista conseguir construir carreira internacional sem sair de Angola, sublinhando que a arte “só transformará Angola quando deixar de ser um nicho e passar a ser uma estratégia nacional”, reconhecida como pilar da identidade, da educação e do desenvolvimento económico do país.



