Evento aposta na criatividade e incentiva a indústria cultural

A quarta edição da Mostra de Corte e Costura (MOCCO) encerrou com um saldo positivo e com um número considerável por parte do público que acorreu no Palácio de Ferro e no Cine Tivoli.
O evento decorreu durante os últimos três dias e contou com desfiles de estilistas consagrados e emergentes. Segundo Hamilton Vieira, porta-voz do evento, o maior desafio que enfrentou foi de levar o primeiro dia de desfile para fora do Palácio de Ferro, com a abertura no Cine Tivoli que contou com a presença do ministro da Cultura e teve adesão positiva. Outra novidade nesta edição foi o facto de os desfiles decorrem em três dias, ao contrário das anteriores com cinco dias. Para Hamilton Vieira, esta contrariedade não retira a avaliação positiva do certame. Em declarações ao Jornal de Angola, o estilista Joaquim Kupessala exprimiu ser uma experiência única estar a expor o seu trabalho neste desfile. O criador levou uma colecção que foi lançada há um bom tempo, apropriada para homens, e são roupas pronto a vestir com panos africanos. Por sua vez, Luzingo Martins, estilista há 10 anos, expressou que foi uma boa iniciativa e aproveitou a ocasião para apresentar um desfile de vestidos africanos, com peças inspiradas na Nigéria.“O meu maior desafio foi achar os tecidos nigerianos, porque aqui é difícil de se encontrar “, rematou. Já do outro lado, Jacinto Ventura explicou que o maior impasse foi compor roupas para todos os tamanhos. Foi muito desafiador. O estilista apresentou roupas que espelham a cultura do Cunene, de Cabinda e da África do Sul. “É bem sabido que com a MOCCO, a ANICC e o Palácio de Ferro, a iniciativa é muito boa, porque nos faz ativar o nosso espírito da ancestralidade, a nossa produção como africano é pouco utilizado dentro daquilo que é o nosso país, visto que usamos mais roupa ligada à cultura europeia”, concluiu. A MOCCO é uma iniciativa, promovida pelo Palácio de Ferro, em parceria com Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC), reúne estilistas, costureiros, alfaiates, empreendedores, marcas, instituições e o público em geral, a fim de promover o talento nacional, geração de oportunidades de negócio e a dinamização da economia criativa. A edição deste ano decorreu com uma homenagem especial à vida e obra do histórico Conjunto Musical Ngola Ritmos, uma das maiores referências da Cultura angolana. A abertura oficial ocorreu na sexta-feira no Cine Tivoli, com o desfile temático "Herança", uma celebração da identidade, elegância e da força da mulher africana através da moda e foi acompanhada pelo ministro da Cultura, estilistas e convidados da sociedade civil. “Primeiro dia impulsiona reabertura do Cine Tivoli”Namibe, Huambo e Zaire são as próximas províncias previstas para a reabertura dos cinema, há muito fechados, adiantou o ministro da Cultura, na abertura da 4ª edição do MOCCO ”, realizad, na sexta-feira à noite, no Cine Tivoli, em Luanda. Filipe Zau testemunhou o desfile de Moda Africana, com o tema “Herança Mulher Guardiã da Cultura e Agente do Desenvolvimento” e, na ocasião em declarações ao Jornal de Angola o ministro da Cultura revelou que a grande novidade que ocorreu com o desfile foi a reabertura do cinema. A sala tem um equipamento fantástico, com a capacidade de albergar, 800 pessoas e, neste momento, estão no processo de atrair as pessoas para ver espectáculos no espaço. “Começar com uma data importante, a celebração da mulher, porque nascimento das coisas começa com a mulher e, no âmbito da identidade africana, passaram o desfile de iniciativas que há muito tempo não apareciam, mas é uma das partes das Indústrias Cultural e Criativa que pretendemos mostrar", afirmou. Filipe Zau defende que não devemos ficar apenas com a música, teatro, cinema ou dança. O governante disse que estão a criar o maior número de acções para que a agenda cultural do país possa estar muito mais desenvolvida. “Actualmente, o grande desafio da agenda do Ministério é de aumentar o número de salas, quanto mais salas mais oportunidades, espectáculos, fortificação na agen- da cultural e maior atracção turística também e resolver o problema da empregabilidade dos artistas, que é o grande desafio”, disse o ministro da Cultura. A MOCCO surge inspirada pelo crescente movimento de valorização da roupa feita por encomenda, privilegiando peças exclusivas, personalizadas e de elevado valor acrescentado. O projecto resulta do trabalho de pesquisa e identificação de jovens costureiros e costureiras que desenvolvem a sua actividade em ateliers, alfaiatarias, mercados e residências, muitos dos quais possuem elevado potencial técnico e artístico, mas carecem de capacitação, visibilidade e oportunidades para expandir os seus negócios.


