O Executivo angolano e o Governo Provincial do Mo-xico vão continuar a reconhecer e a valorizar o papel das autoridades tradicionais no país, afirmou, no último fim-de-semana, no Lumbala Nguimbo, a vice-governadora para a área Política, Social e Económica.
Elizabeth Mafo Sapato Ayala, que discursou no acto do encerramento da 19.ª edição do Festival Tradicional da Cultura Mbunda, "Lithathe Lya Mundo", em representação do governador Ernesto Muangala, indicou que o Executivo vai continuar igualmente a trabalhar em articulação com as regedorias a fim de preservar e promover o património cultural da província.
"A cultura constitui uma das maiores riquezas de qualquer povo. É através dela que conhecemos as nossas origens, preservamos as memórias dos antepassados e transmitimos às novas gerações os princípios, valores, costumes e as tradições que definem a nossa identidade", referiu.
A governante indicou que as danças tradicionais, a gastronomia, a língua, os rituais e as diferentes manifestações não devem ser vistas apenas como elementos de entretenimento, mas sim como património indissociável do conhecimento histórico.
Elizabeth Ayala reconheceu o papel de charneira, a sabedoria e a liderança espiritual do rei Mwene Mbandu V em conduzir e salvaguardar a unidade da comunidade."O povo Mbunda possui uma cultura rica e de tradições preservadas que, através de danças, ritos e gastronomia, mostra ao Moxico e ao mundo o seu legado imperecível".
Segundo a vice-governadora, o festival provou ser uma plataforma de exaltação não só da cultura Mbunda, mas também dos povos Cokwe, Lutchazi, Luvale e de todas as comunidades que compõem a província.
Lithathe Lya Mundo
O encerramento do festival "Lithathe Lya Mundo" foi marcado por momentos de grande euforia, dança, batuque e cânticos rituais. Com a chegada do rei Mwene Mbandu V ao recinto, todos os presentes, em especial os membros da comunidade Mbunda, puseram-se de joelhos e bateram palmas compassadas em sinal de profundo respeito ao soberano.
O primeiro grupo a entrar em cena foi Kukumbuka, depois exibiram-se o Kulithambetha, Chisho, Tundanda e o último Mallu, denominado por Mwali (rapariga virgem), representa virgindade da mulher. Igualmente, foram convidados músicos locais, como Augusto Pausado, Chikimissa, Feno, Cebo,Mwe Njamba, Ene Mahonga, Alex e vários grupos como Alex, Va Criss (Kuku yava Mbunda).
O festival, que juntou mais de três mil pessoas, contou com a presença de delegações da Zâmbia, Namíbia e África do Sul. O certame foi amplamente animado por cantos tradicionais, exibições de makixi, actuações de grupos folclóricos e de formações culturais locais que interpretaram os estilos musicais típicos da região.
O evento contou com a presença de membros do Governo do Moxico, de administradores municipais dos Bundas (Lumbala Nguimbo), Lutembo, Ninda e Chiume, além de empresários locais, da população em geral e de representantes da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).
O regedor Kaliata, do sobado do município de Cangamba, destacou que a festa representa o respeito pelos ensinamentos culturais, pelo modo de vestir, de andar e de falar dos antepassados. Como oferta simbólica, a comunidade de Cangamba trouxe peixe e produtos agrícolas para presentear o monarca.
História do povo da terra vermelha
O povo Mbunda é um dos mais antigos agrupamentos étnicos da África Austral e é composto por sete subgrupos: Mbunda Ya Mathzi, Shamuka, Mbalango, Yauma, Nkangala, Ndundu e Sango, cada um com a sua própria variante linguística ou dialecto.
A designação “Mbunda” traduz-se por “solo vermelho” ou “terra vermelha”, podendo também significar “carne”, o que reflecte a ligação profunda deste povo à terra. Estima-se que o povo Mbunda conte com mais de 15 milhões de pessoas, distribuídas por Angola, Zâmbia, República Democrática do Congo, Namíbia, África do Sul e Zimbabwe.
Após a morte do rei Mwene Mbandu II (Kazungo Shanda), em 1974, seguiram-se três décadas de vazio no trono. Com esse interregno, o Reino Mbunda só foi restaurado em 2008, com a entronização de Mwene Mbandu III Lifuti, a 16 de Agosto de 2008, como o 23.º rei da linhagem. Mwene Mbandu III faleceu a 20 de Julho de 2021.
O seu sucessor, João Pedro Mussole, Mwene Mbandu IV, faleceu em Dezembro de 2022, apenas três meses após a sua entronização, deixando o trono vago por mais três anos. A 20 de Setembro de 2025, Alberto Kazungo Cabo Verde, de 55 anos, foi entronizado como o 25.º soberano da História do povo Mbunda, adoptando o nome oficial de Mwene Mbandu V.




