As cores, formas e diferentes interpretações da identidade angolana encontram-se reunidas, desde sexta-feira, no Museu Nacional de Antropologia, em Luanda, numa exposição colectiva que junta obras de nove artistas plásticos e assinala os 36 anos de existência da Associação de Arte Kaniaki Cultural.
A mostra reúne 22 pinturas e duas esculturas de Job Liló, Sureny Fernandes, Venâncio Gonga, Geovanni Tady, Álvaro Cardoso, Pedro Tchivinda, Guilherme Kiniaki, Bastos Galiano e Hugo Calão, numa proposta artística marcada pela diversidade de linguagens e pela valorização da angolanidade. Ao percorrer a exposição, o visitante encontra obras que abordam temas ligados ao ambiente, à identidade cultural, à fauna, à dignidade da pessoa humana e ao quotidiano dos angolanos, além de trabalhos inspirados no cinquentenário da Independência Nacional. As peças estabelecem igualmente uma relação entre passado, presente e futuro, apresentando diferentes perspectivas sobre a cultura e a sociedade angolanas e formando, no conjunto, uma espécie de mosaico da identidade nacional. Artes que dialogamA celebração dos 36 anos da “Kaniaki Cultural” ultrapassou, no entanto, os limites das artes plásticas. Durante a abertura, o espaço do Museu Nacional de Antropologia transformou-se num ponto de encontro entre diferentes linguagens artísticas, com actuações do grupo de dança King Dance, do poeta Pedro Cerqueira e do guitarrista Lama Arcanjo. O cruzamento entre pintura, escultura, música, dança e poesia conferiu ao encontro uma dinâmica particular, permitindo que as obras expostas fossem apreciadas num ambiente de diálogo entre diferentes formas de criação. Em declarações à imprensa, o responsável da “Kaniaki Cultural”, Guilherme Kiniaki, considerou o momento memorável, por representar a celebração de uma trajectória de 36 anos dedicada ao ensino, à instrução e à educação artística. Segundo o responsável, a continuidade do trabalho da associação tem sido possível graças ao incentivo à produção cultural e ao compromisso dos artistas que integram ou já passaram pela instituição. A exposição, explicou, foi pensada precisamente como forma de festejar esse percurso por meio das criações dos artistas ligados à Kaniaki Cultural. Guilherme Kiniaki sublinhou que as obras expostas representam diferentes dimensões da angolanidade, reflectindo sobre o passado, o presente e as perspectivas futuras das artes e da cultura nacional.“Em cada peça, encontramos várias temáticas que reflectem sobre o ambiente, a identidade e questões ligadas ao quotidiano angolano. Temos obras que retratam a fauna e a dignidade da pessoa humana”, afirmou. O responsável defendeu igualmente que a arte deve contribuir para a projecção da identidade cultural africana além-fronteiras, permitindo que as diferentes manifestações artísticas do continente alcancem novos públicos e espaços internacionais. “Um casamento perfeito”O músico Makiese Hilário considerou o encontro como “um casamento perfeito” entre as diferentes disciplinas artísticas, destacando a força resultante do diálogo entre Música, Dança, Poesia e Artes Plásticas. Para o artista, iniciativas desta natureza devem ser realizadas com maior frequência, por criarem oportunidades de valorização dos criadores e permitirem ao público ter contacto, num mesmo espaço, com diferentes formas de expressão. “Isso mostra maior valorização dos artistas que devem promover actividades onde as várias disciplinas artísticas se cruzem num único palco, porque isso cria inspiração”, defendeu. A exposição de pintura permanece patente no Museu Nacional de Antropologia até ao dia 8 de Setembro do corrente ano.




