O artista plástico Kaumbas traz a público uma mostra composta por onze peças, entre pintura e escultura, intitulada “Entre o Lixo e a Luz”, que propõe uma reflexão urbana, social e ecológica sobre o que a sociedade descarta.
A exposição fica patente, na Galeria Tamar Golan, em Luanda, até ao dia 15 de Novembro, tendo no seu processo de concepção artística a duração de seis meses, segundo o criador.
Em declarações ao Jornal de Angola, o artista explicou que a exposição aborda um tema com pendor subjectivo. “No fim, não fala apenas sobre lixo; fala sobre aquilo que ainda pode nascer quando alguém decide olhar para o que os outros deixam de olhar”, acrescentou.
Em “Entre o Lixo e a Luz”, o processo criativo parte de referências humanas, animais e elementos do quotidiano, numa abordagem predominantemente abstracta e expressionista. Kaumbas explora a relação entre o metal e outros materiais, dando nova vida à matéria abandonada. Através da reutilização de materiais descartados, o criador transforma resíduos em objectos de contemplação, questionando as fronteiras entre desperdício e valor, destruição e reconstrução.
Cada peça revela um processo de metamorfose em que a matéria abandonada adquire nova vida e significado. Entre mapas, figuras humanas, borboletas e elementos simbólicos, o autor construiu narrativas que evocam identidade, pertença, transformação e esperança, onde o lixo deixa de ser apenas resíduo para se tornar memória, expressão e possibilidade.
A mostra é um convite à descoberta de novas formas de ver e interpretar o mundo, através da força transformadora da imaginação e da criação artística.
“A arte angolana vive um momento de equilíbrio. Não está bem e nem está tão mal. Já esteve muito pior. Nestes últimos anos, com o surgimento de novos espaços, têm se revelado artistas emergentes capazes de levar a arte além-fronteiras.
Com investimento e acompanhamento do órgão tutelar, as artes exercerão o seu real papel como educador social”, afirmou o escultor autodidacta, que aproveitou também para tecer uma reflexão sobre a obra do colega Paulo Amaral, cuja abordagem considera simultaneamente urbana, social e ecológica, emergindo da necessidade de criar, sobreviver e renascer.
Luís Mário Sapoco Caumba, “Kaumbas”, nasceu no Cuito, província do Bié. É escultor autodidacta e conceptual angolano, que utiliza a arte como extensão de si mesmo, reflectindo sobre as complexidades da condição humana.




