A feira alusiva à 124.ª edição das tradicionais Festas da Nossa Senhora do Monte, que decorre de 1 a 30 de Agosto, na cidade do Lubango (Huíla), está a ser uma demonstração da capacidade artística dos angolanos na criação e produção de roupas e peças de arte, que têm como fim valorizar e manter viva a identidade nacional.
Na montra, estão presentes perto de 80 feirantes provenientes de diferentes províncias, onde estão a exibir variedades de estilos de roupas, calçados, acessórios do vestuário e uma diversidade de peças artesanais que representam traços identitários de diferentes regiões do país.
Da província do Uíge, veio Dilo Salomão, um manufactureiro de mobílias e artefactos tradicionais feitos de madeira, paus, capim e junco. Como produto da sua mão, uma actividade exercida há cerca de 35 anos, como conta, é possível testemunhar no seu espaço mobília de sala feita de madeira junco, cestos, assentos, candeeiros de cabeceira, estátuas, chapéus e quadros pintados.
Para o feirante, que já vai na sua terceira presença, a Feira da Nossa Senhora do Monte tem sido uma grande oportunidade para mostrar a capacidade de criação e produção dos artesãos de diferentes cantos do país. “A minha presença aqui está a ser proveitosa.
A feira do Lubango é vantajosa, tem peso. Participam muitos empresários de várias províncias, por isso, compensa sempre aqui estarmos”, constatou Dilo Salomão.
Desde o primeiro dia da sua presença, no dia 4 de Agosto, avançou, apenas vendeu um quadro de pintura e algumas canecas de madeira, mas diz esperar mais vendas na próxima semana, quando arrancar a Expo-Huíla 2026, altura em que as Festas atingem o seu apogeu.
David Lelo, outro feirante, com actividade na escultura em Luanda, com ramificação no Lubango, está a apresentar uma gama de peças, fruto do seu e do trabalho do seu pai. Os dois estão presentes no evento com peças de escultura que representam os símbolos identitários nacionais, as práticas culturais e a riqueza da nossa fauna.
“Estamos aqui com várias esculturas. Temos máscaras de Mwana Pwo, estátua do Pensador, de caçador, da mulher mumuila, da zungueira, de animais selvagens como Palanca Negra, rinoceronte, águia, elefante, leão, girafa e muito mais. São símbolos que representam quase todas as províncias”, descreveu o feirante.
Trajes e adornos
Já no domínio dos Vestuários, estão presentes Engrácia António, vinda de Luanda, com mais de 150 peças de vestidos, camisas e blusas de várias tendências feitas de pano, e Bobó Chaty, da comunidade rastafári da Huíla, que trouxe roupas e adornos, sobretudo das culturas Kwanyama e Nyaneka.
Esta é terceira participação do rastafári. “Estamos aqui com produtos da cultura africana, como vestidos de diferentes culturas, como Nyeneka e Kwanyama. Também trouxemos acessórios para acompanhar os vestidos, pulseiras, missangas, colares, cintos, temos também trabalhos feitos com malha, fazemos croché, temos turbantes, cachimbos, porta-chaves e tantos outros utensílios”, destacou Bobó Chaty.
Do outro lado, há a assinalar a presença de barracas de comes-e-bebes, com aproximadamente 200 participantes, onde os visitantes podem degustar os diferentes sabores típicos da região, como a galinha assada e o chouriço caseiro, assim como os diferentes sumos naturais.
As Festas da Nossa Senhora do Monte vão atingir o seu ponto máximo com a realização de 19 a 23 do corrente da Expo-uíla e da Feira do Gado, onde se aguarda centenas de expositores nacionais e estrangeiros.




