Festival Internacional de Teatro do Cazenga reúne mais de cinco mil espectadores

O Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA) encerrou a 21.ª edição com um balanço considerado positivo pela organização, ao reunir 5.304 espectadores, cerca de 350 artistas e dezenas de actividades artísticas e formativas que consolidaram o evento como uma das principais referências das artes cénicas em Angola.
Realizado entre 1 e 12 de Julho, nas instalações do Centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’Art), o festival decorreu sob o lema “O Palco onde os Sonhos ganham Vida”, promovido pela Associação Globo Dikulu – Acção para o Desenvolvimento Juvenil, numa parceria com o Anim’Art e com o apoio institucional da Administração Municipal do Cazenga. Ao longo de 12 dias, o certame proporcionou um ambiente de intercâmbio cultural, amizade e fraternidade, reunindo companhias nacionais e estrangeiras, artistas, técnicos, estudantes e profissionais das artes performativas. A programação integrou 32 apresentações, entre espectáculos teatrais, performances, teatro de rua e exibições de filmes, protagonizadas por 30 grupos e companhias de teatro provenientes de Luanda, Cuanza-Sul, Uíge, Cabinda, Brasil e Portugal. Entre as companhias internacionais, estiveram a Negra Palavra e a Arte e Relax, do Brasil, a companhia portuguesa JGM, de Torres Vedras, além da performance de Tetembua Dandara, de São Paulo. O director Carlos Manuel, radicado na Alemanha, orientou igualmente um espectáculo interpretado por actores angolanos. Segundo a organização, algumas companhias previstas para representar as províncias da Huíla, Huambo, Namibe e Cubango não conseguiram participar devido aos constrangimentos logísticos. Além dos espectáculos, o FESTECA promoveu quatro oficinas de interpretação e expressão dramática, frequentadas por cerca de 50 jovens artistas, bem como três oficinas de luminotecnia, que envolveram aproximadamente 30 participantes numa formação especializada de 60 horas. A programação contemplou ainda duas sessões do “Café-Teatro”, que reuniram mais de 60 artistas em cada encontro, e uma mesa-redonda dedicada à mobilidade artística internacional, sob o tema “Como circular Espectáculos e construir Carreiras Internacionais”, com a participação de especialistas de Angola, Brasil, Portugal, Alemanha e representantes da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), do Brasil. A edição deste ano distinguiu a actriz Victória Avelino Dias Soares “Totonha”, homenageada pelo percurso artístico, enquanto o dramaturgo Armando de Jesus Rosa da Silva recebeu um reconhecimento público pela contribuição prestada ao desenvolvimento do teatro. O festival contou com cerca de 350 artistas e uma equipa organizativa composta por 106 pessoas, entre coordenadores, produtores, voluntários, estagiários e prestadores de serviços. Promovido em parceria com várias instituições nacionais e internacionais, dentre as quais o Goethe-Institut, Alliance Française de Luanda, Instituto Camões, Instituto Guimarães Rosa, Fundação Arte e Cultura, Fundação BAI, ASSITEJ-Angola e FUNARTE, do Brasil, o FESTECA voltou a se afirmar como um espaço privilegiado para formação, intercâmbio e valorização das artes cénicas. Para a organização do Festival Internacional do Cazenga, os resultados alcançados nesta edição reforçam o papel do festival na promoção do teatro, na capacitação de jovens artistas e no fortalecimento da cooperação cultural entre Angola e outros países. Vice-governador de Luanda Manuel Gonçalves nega possiblidade de mudança do local do festival O vice-governador da Província de Luanda para o Sector Político e Social, Manuel Gonçalves, negou, em Luanda, qualquer possibilidade de transferência do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA) para outra zona da cidade, assegurando que os grupos estrangeiros convidados nunca manifestaram desconforto por participarem no evento realizado no município do Cazenga. De acordo com o responsável, ao longo dos anos de acompanhamento da organização do festival, nunca houve qualquer sinal de receio ou constrangimento por parte das delegações internacionais, em relação ao local onde o certame decorre. O evento, defendeu, deve manter-se no seu espaço tradicional, por considerar que o município do Cazenga faz parte da identidade do evento e representa um importante centro de promoção cultural. O governante destacou que a presença de companhias internacionais fortalece o intercâmbio cultural e artístico, permitindo não apenas ao público assistir a espectáculos de elevada qualidade, mas também aos grupos teatrais angolanos conhecerem novas linguagens, técnicas e experiências desenvolvidas noutros países. “Esse intercâmbio permite comparar o trabalho desenvolvido pelos grupos nacionais com as produções apresentadas além-fronteiras. Não acho que devemos retirar o festival do seu espaço tradicional. Não vimos, por parte dos grupos, qualquer receio por estarem na periferia”, afirmou.



