Investigadores, estudantes e apreciadores da obra de Óscar Ribas dirigiram-se, na segunda-feira, à Casa-Museu Óscar Ribas, em Luanda, para conhecer, por intermédio de registos fotográficos, diferentes momentos da vida e do legado do escritor, numa exposição que vai ficar patente até sexta-feira.
Enquadrada na jornada alusiva ao 117º aniversário de Óscar Ribas, assinalado na passada segunda-feira, a exposição, intitulada “Óscar Ribas uma vida inspiradora”, que já vai na quarta edição, reúne 21 quadros que acompanham fases da vida do escritor, desde a infância, juventude, velhice, até ao seu funeral.
Algumas fotografias mostram Óscar Ribas ao lado da mãe, da esposa e de outros familiares, proporcionando aos visitantes um olhar mais próximo sobre o homem por detrás do grande escritor.
O estudante universitário Edson Guerreiro, apreciador das obras de Óscar Ribas, entre as quais “Uanga” e “Ecos da Minha Terra”, destacou a importância da exposição por lhe ter permitido conhecer registos fotográficos do escritor que não estão disponíveis na Internet ou em outros lugares.
Para o jovem, as imagens ajudam a conhecer uma faceta mais pessoal de Óscar Ribas e tornam mais próxima a figura do autor que conhecia, sobretudo, através dos seus livros.
“Foi emocionante perceber, por meio das imagens, o quanto Óscar Ribas foi uma pessoa de trato fácil e muito afectiva. Acredito que estar rodeado de amigos e pessoas próximas também servia de inspiração para os seus momentos de escrita”, disse.
Por outro lado, o investigador Sérgio Eduardo defendeu que as imagens deveriam permanecer patentes por tempo indeterminado na Casa-Museu, por permitirem aos visitantes um contacto mais próximo e real com a vida pessoal do escritor.
Além disso, no âmbito da celebração de mais um aniversário do escritor, apelou a um maior interesse da população pela preservação do legado de uma figura que considera emblemática para o país.
“Aos encarregados de educação, sobretudo, apelo para que não deixem as crianças crescerem afastadas da História e das figuras que contribuíram para a construção do país”, destacou.
Além da exposição fotográfica, inserida nas celebrações de mais um aniversário do patrono, a Casa-Museu Óscar Ribas repôs o busto do escritor e inaugurou o novo letreiro do espaço. Desde ontem, promove também uma feira do livro e da arte, que decorre até sexta-feira, com as obras de Óscar Ribas e de outros autores. A programação inclui ainda outras manifestações culturais destinadas a celebrar e preservar o legado do escritor.
Mostra satisfaz director dos museus
O director nacional dos Museus, Sidónio Domingos, em representação do ministro da Cultura, Filipe Zau, mostrou-se satisfeito com o trabalho desenvolvido pela Casa-Museu na preservação e valorização da memória e do legado de Óscar Ribas.
De acordo com o responsável, o encontro, de periodicidade anual, constitui já um momento de particular significado no calendário cultural nacional, por representar um espaço de elevação, valorização, exaltação e homenagem à vida, à obra e ao legado de Óscar Ribas, uma das mais distintas figuras da cultura angolana.
“Mais do que uma feira cultural, a Expo-Ribas é uma afirmação da nossa identidade. É um convite à reflexão sobre aquilo que somos, aquilo que recebemos das gerações que nos antecederam e, sobretudo, sobre aquilo que temos, a responsabilidade de legar às gerações futuras”, declarou.
Que esta edição, disse, seja, por isso, um momento de reencontro com a nossa História, de celebração da nossa cultura e de renovação do compromisso colectivo com a preservação do património cultural angolano.
Sidónio Domingos apelou à participação massiva da população nas iniciativas da Casa-Museu, como forma de contribuir para a preservação e valorização do legado de uma das grandes figuras da cultura angolana.
“Esperamos que todos possam desfrutar desta grande iniciativa, num espaço que representa a memória de um grande homem e que, por isso mesmo, deve ser sentido como património de todos nós”, concluiu.
Por outro lado, o director da Casa-Museu Óscar Ribas, Nelson Pinto, explicou que a intenção é criar, cada vez mais, condições para valorizar e promover o nome e o legado do escritor, sobretudo junto da nova geração.




