O Executivo angolano decidiu reactivar o Plano Nacional de Resposta à Mpox, tendo em conta o cenário epidemiológico regional e de emergência sanitária, em que se pretende assegurar a contenção da doença, informou, terça-feira, em Luanda, o secretário de Estado da Saúde para área Hospitalar.
Leonardo Europeu frisou que a preparação de resposta à Mpox, ministrada aos 30 técnicos, aproximadamente, afectos à Direcção de Saúde da Polícia Nacional, ocorreu no Instituto de Ciências Policiais e Criminais, Osvaldo de Jesus Serra Van-dúnem.
De acordo com o secretário de Estado da Saúde para área Hospitalar, a contenção da Mpox deve ser observada a nível dos hospitais e laboratórios, nas ruas, nas esquadras e nos postos de controlo fronteiriços, porque são nesses locais onde a Polícia Nacional actua diariamente.
Leonardo Europeu frisou que a vasta extensão territorial do país impõe desafios acrescidos, daí que o Executivo determinou o reforço da vigilância epidemiológica nas zonas fronteiriças, com maior incidência nas áreas limítrofes com a República Democrática do Congo (RDC), onde existe um intenso fluxo migratório e trocas comerciais.
Neste contexto, disse, coloca-se grande responsabilidade à Polícia Nacional, sobretudo à Polícia de Guarda Fronteiras e à Fiscal Aduaneira, porque a primeira barreira de protecção do país passa por monitorar os pontos de entrada, realizando triagem, garantindo o cumprimento das orientações de saúde, sem comprometer a segurança nacional.
O governante sublinhou que se trata de uma missão de elevada exigência, por isso, realizou-se o seminário de capacitação, a fim de fornecer conhecimentos práticos que permitam os efectivos da Polícia Nacional efectuarem o rastreio e identificar precocemente os sinais de Mpox nos postos fronteiriços e terminais fluviais.
“Pretende-se, igualmente, que estejam preparados para implementar rigorosas medidas de biossegurança, tanto individuais como colectivas, assegurando o cumprimento do dever sem colocar em risco a sua saúde, nem a dos demais, disse.
Leonardo Europeu informou que, além do rastreio e das medidas de biossegurança, é essencial que os efectivos da Polícia Nacional dominem os fluxos de encaminhamento apresentados durante a exposição dos objectivos da formação.
O governante aconselhou os técnicos de Saúde da Polícia Nacional a encararem com determinação o desafio operacional e a manter elevada prontidão, especialmente a nível dos postos fronteiriços.
Agir com base na prevenção e correcta informação
O segundo comandante-geral da Polícia Nacional, Domingos de Andrade, considerou que a melhor forma de proteger os cidadãos, as famílias e o próprio efectivo diante da Mpox é agir com base na informação correcta, prevenção e cumprimento rigoroso dos procedimentos estabelecidos pelas autoridades sanitárias.
O comissário-chefe Domingos de Andrade explicou que, pela sua natureza e missão, a Polícia Nacional mantém contacto permanente com a população e intervém, em diferentes contextos, como patrulheiro e fiscalizador da ordem pública.
Devido a esta realidade, acentuou, o efectivo policial deve estar preparado para reconhecer situações de risco, adoptar medidas de protecção e encaminhar correctamente os casos suspeitos, sem discriminação e perigo à própria saúde e dos colegas ou da comunidade.
Confirmado primeiro caso no Zaire
O município do Tomboco, província do Zaire, entrou na estatística das regiões angolanas com Mpox, após confirmação, no sábado, do primeiro caso positivo da doença.
Trata-se de um cidadão angolano, de 32 anos, agricultor e residente na aldeia de Nkembo, sendo que já recebe assistência médica naquele município, onde as autoridades trabalham para conter a propagação.
Segundo o chefe de Departamento da Saúde Pública no Zaire, Manuel Kai, o cidadão acometido com a doença, não tem histórico de ter viajado recentemente em províncias com a doença.
Manuel Kai explicou que, mediante os sintomas, o cidadão infectado com a Mpox decidiu realizar uma consulta e foi-lhe identificado sinais suspeitos da doença, cujas amostras recolhidas foram enviadas para Luanda, onde se confirmou a doença.
De acordo com o responsável, durante a triagem feita ao paciente, constatou-se que este, três semanas antes de começar a sentir os sintomas semelhantes à Mpox, terá consumido carne de macaco.
Para se evitar a propagação da doença, prosseguiu o chefe de Departamento da Saúde Pública no Zaire, o cidadão encontra-se internado no Centro de Controlo das Endemias do Tomboco, onde está a ser medicado.
“E os nove membros da sua família, com quem manteve contactos directos, também estão a ser acompanhados por uma equipa de resposta rápida.
Já os vizinhos do referido paciente, realçou, também estão a ser acompanhados, visto que continua a recolha de informações precisas que podem levar à identificação de outros eventuais contactos.
Como precaução, informou, as autoridades sanitárias do Zaire encaminharam para o município do Tomboco algumas doses de vacina contra a doença, com o objectivo de vacinarem os nove contactos, para que se corte a cadeia de transmissão da doença.
André da Costa Jaquelino Figueiredo




