O professor de História Bonifácio Teca defendeu, na província do Uíge, a implementação e o reforço do ensino das línguas nacionais nas escolas.
Para o historiador, o sistema de ensino desempenha um papel fundamental na preservação do património linguístico e na transmissão de valores, conhecimentos e tradições culturais entre gerações.
A escola surge, assim, como um espaço essencial de contacto com esses idiomas, sobretudo para crianças que já não têm a oportunidade de os aprender ou utilizar no ambiente familiar.
Em declarações ao Jornal de Angola, Bonifácio Teca explicou que o processo de aprendizagem deve começar por elementos simples do quotidiano — como nomes de objectos, cumprimentos e expressões familiares —, permitindo aos alunos adquirir conhecimentos de forma progressiva e manter a ligação com a cultura dos seus antepassados.
“O ensino das línguas nacionais nas escolas pode ajudar a recuperar o contacto das novas gerações com a sua identidade cultural”, defendeu o docente.
Influência de outras línguas
O distanciamento progressivo dos jovens em relação às línguas nacionais está directamente ligado à expansão do português e de idiomas estrangeiros nos centros urbanos, apontam os entrevistados pelo Jornal de Angola.
Diante deste cenário, Pedro Luvezo Talakiaku, de 65 anos, defende uma maior valorização dessas línguas como património cultural, destacando que as famílias partilham de uma responsabilidade crucial nessa preservação.
Por sua vez, Venâncio Panzo, de 26 anos, aponta o factor psicológico e social como uma barreira invisível, mas altamente eficaz. Para o jovem, o sentimento de vergonha de falar o idioma da própria comunidade em público é um dos principais entraves actuais, muitas vezes alimentado por um preconceito velado que associa as línguas nacionais ao meio rural ou à falta de instrução.
Esse estigma social faz com que muitos jovens prefiram silenciar as suas origens linguísticas nos centros urbanos para evitar o julgamento ou a exclusão dos seus pares.




