Lubango - O director do Gabinete Provincial da Cultura e Turismo da Huíla, Tiago Pinto, afiançou hoje, sábado, no Lubango, uma maior aposta na conservação do património arquitectónico local, para manter o testemunho da evolução urbana, cultural e social desta região.
Lubango - O director do Gabinete Provincial da Cultura e Turismo da Huíla, Tiago Pinto, afiançou hoje, sábado, no Lubango, uma maior aposta na conservação do património arquitectónico local, para manter o testemunho da evolução urbana, cultural e social desta região.
A arquitectura histórica da Huíla ganhou particular expressão a partir da década de 1930, período marcado pelo crescimento do Lubango e pela construção de equipamentos públicos que contribuíram para definir a configuração urbana da cidade.
Em entrevista à ANGOP, para abordar o assunto, Tiago Pinto apelou para a conservação e valorização desse património, por considerar que os edifícios históricos constituem parte importante da memória colectiva, pelo que as reformas não podem destruir essa história.
Do ponto de vista legal, afirmou que existem instrumentos que permitem a protecção, classificação, conservação e valorização do património cultural.
Na Huíla, segundo o gestor, está em curso um processo de levantamento e identificação dos imóveis de interesse patrimonial, que permitirá conhecer melhor o seu estado e definir medidas adequadas de salvaguarda.
Entre as principais funções destes mecanismos consta a definição de normas para a conservação e restauro de edifícios, monumentos, sítios e outros bens considerados relevantes para a história e identidade das comunidades.
Sublinhou que estes instrumentos legais de protecção do património cultural permitem identificar, inventariar, classificar, conservar e valorizar bens de reconhecido interesse histórico, artístico, arquitectónico e cultural.
Sinalizou que a lei de conservação do património permite controlar intervenções em bens classificados, com vista a evitar alterações que possam comprometer as suas características arquitectónicas, históricas ou culturais.
A legislação estabelece ainda medidas para impedir a destruição, descaracterização, alteração ou retirada ilegal de bens que integram o património cultural.
Outro aspecto, acrescentou, prende-se com a definição das responsabilidades das instituições públicas, proprietários e demais intervenientes na protecção, conservação e gestão desses bens patrimoniais.
"É uma questão que ainda está a ser apurada no âmbito do processo de levantamento em curso" - reforçou.
Esclareceu que nesta fase não é possível avançar com um número definitivo do património desaparecido, uma vez que o trabalho de identificação e caracterização dos imóveis ainda não foi concluído.
Afirmou que a preservação dos imóveis históricos permite manter referências arquitectónicas de diferentes períodos e transmitir às novas gerações elementos ligados à história e à transformação das comunidades.
De acordo com o director, a arquitectura do Lubango resulta da coexistência de diferentes estilos. Numa primeira fase, os modelos tradicionais conviveram com a chamada Arquitectura do Estado Novo, antes de a linguagem moderna ganhar maior destaque a partir dos anos 1950.
Elucidou que essa transformação acompanhou o crescimento da cidade e introduziu novas formas, volumes e soluções arquitectónicas, que contribuíram para redefinir a imagem urbana do Lubango.
Entre os edifícios que se destacam nesse percurso está o antigo Colégio Paula Frassinetti, o Cinema Arco-Íris e o Grande Hotel da Huíla, referências que marcaram as décadas de 1950 e 1960, que permanecem associadas à história arquitectónica da cidade.
Para além desses imóveis, disse o director, a capital huilana conserva outras construções de interesse histórico, religioso e civil, que ajudam a compreender diferentes fases do seu desenvolvimento.
Lembrou que o arquitecto Frederico Ludovice ocupa um lugar de destaque nesse património. A sua obra deixou marcas na arquitectura do Lubango, com construções que integram o conjunto de referências históricas da cidade e da província.
O entrevistado sinalizou que a presença de diferentes estilos e períodos arquitectónicos transforma o Lubango num espaço onde a história pode ser observada também através das construções de igrejas, edifícios públicos, equipamentos sociais e outras estruturas constituem elementos de uma paisagem urbana formada ao longo de várias décadas.
A conservação como desafio
Apesar do valor histórico e cultural atribuído a esses imóveis, a sua conservação constitui uma preocupação para as autoridades do sector da Cultura e Turismo, conforme o seu director.
Tiago Pinto defende maior atenção à preservação dos edifícios classificados como património nacional e provincial, bem como o reforço da sensibilização das comunidades sobre a necessidade de proteger esses espaços.
Essa acção, segundo ele, deve ser entendida, não apenas como uma responsabilidade das instituições, mas também como uma forma de assegurar que as novas gerações tenham contacto com elementos materiais da história da Huíla.
Tiago Pinto alertou que a degradação ou descaracterização de edifícios históricos pode representar a perda de referências importantes da identidade urbana, razão pela qual a preservação deve acompanhar o crescimento e a transformação das cidades.
No caso do Lubango, afirmou haver uma necessidade de conciliar desenvolvimento urbano à utilização dos espaços e conservação arquitectónica, para colocar o património no centro das discussões sobre a valorização da cidade.
“A classificação de imóveis como património nacional ou provincial constitui um dos instrumentos para garantir o seu reconhecimento e protecção. Contudo, a preservação exige também cuidados permanentes e sensibilização dos proprietários, instituições e comunidades”, explicou.
Conservar o património para impulsionar o turismo
Nesta entrevista, o director afirmou que a valorização do património arquitectónico pode igualmente reforçar a oferta turística, ao lado das paisagens naturais, manifestações culturais, gastronomia e outros atractivos existentes na província.
Para Tiago Pinto, a conservação deste activo deve estar associada à promoção turística, com a sua introdução no roteiro local, para permitir que os visitantes conheçam parte da história da província através dos seus espaços urbanos e arquitectónicos.
Sublinhou que o património arquitectónico da Huíla oferece possibilidades para a criação de roteiros históricos e culturais, capazes de aproximar residentes e visitantes dos diferentes períodos de desenvolvimento do Lubango.
A concentração de vários imóveis de interesse histórico na capital provincial, conforme o gestor, facilita a identificação de percursos que podem integrar edifícios religiosos, civis e públicos, além de outros locais associados à evolução da cidade.
Frisou ainda que a estratégia de valorização turística do património pode também contribuir para despertar maior interesse das comunidades pela conservação dos imóveis e pela transmissão da história local.
Os activos estão para além do Lubango
Embora o Lubango concentre uma parte significativa do património arquitectónico da Huíla, o conjunto de referências históricas não se limita a ele.
Os restantes municípios possuem igualmente edifícios e espaços de interesse religioso, civil e histórico, que representam diferentes momentos da ocupação e evolução das comunidades, como o Cuvango, Quilengues, Caconda, Matala, Capelongo e Humpata.
A identificação, classificação e conservação desses elementos podem contribuir para uma visão mais abrangente do património da província, evitando que a valorização cultural e turística fique limitada à capital, asseverou o director Tiago Pinto.
O desafio passa por garantir que a modernização das cidades não resulte na perda das suas referências históricas. Para o Gabinete Provincial da Cultura e Turismo, a conservação deve acompanhar a evolução urbana, com atenção aos imóveis que possuem valor arquitectónico, histórico e cultural.
Memória e identidade
O património histórico não se resume às paredes, fachadas ou características arquitectónicas dos edifícios. Cada construção integra uma parte da história da comunidade onde está inserida e pode ajudar a compreender os processos sociais, económicos e culturais que marcaram determinada época.
No Lubango, essa memória encontra expressão em construções que atravessaram várias décadas e acompanharam a transformação da antiga cidade num dos principais centros urbanos do sul de Angola.
A preservação desses espaços permitem manter viva uma parte dessa trajectória e oferece às novas gerações referências concretas sobre a evolução da cidade.
No âmbito do Dia Mundial do Turismo, a chamada de atenção para o património arquitectónico reforça a necessidade de olhar para a cultura como componente da actividade turística.
O Governo da Huíla defende que a valorização do património passa pela conservação dos imóveis, pela sensibilização das comunidades, pelo conhecimento da história local e pela integração desses espaços nas estratégias de promoção turística.
A província possui mais de 200 bens patrimoniais inventariados, entre imóveis, monumentos e sítios, dos quais 22 já foram elevados à categoria de património cultural.”
Deste número de 22 refere-se ao património cultural classificado de forma geral não exclusivamente ao património arquitectónico.
Para o património arquitectónico especificamente, há vários edifícios históricos do Lubango, como a antiga Câmara Municipal, Igreja da Missão da Huíla, antiga residência do inspector da Colónia, Estação dos Caminhos-de-Ferro, Edifício Hamilton Lopes, entre outros. JT/MS




