Investigador Carlos Lamartine resgata História angolana em três novas propostas literárias

O escritor e músico Carlos Lamartine vai voltar a brindar os amantes das artes e da literatura, em particular, com três livros, obras que vão suceder “Semba: Perfil Histórico” e “Ser Poeta nas Harmonias e no Silêncio”.
O autor revelou que um é sobre o desporto no Marçal, outro aborda o semba e a sua difusão pelo mundo, relacionando-o com a construção de grandes cidades do Brasil, da Argentina, entre outros países, e um terceiro dedicado ao Carnaval. Carlos Lamartine, que falava durante a homenagem recentemente realizada pela Rádio Nacional de Angola no projecto “Caldo do Poeira”, explicou que estas obras demonstram que os angolanos tiveram a hombridade de contribuir para a construção do mundo, embora esse papel nem sempre seja reconhecido, uma vez que a história da escravidão está mal contada ou simplesmente omitida. Para o escritor, essa é a principal razão do desconhecimento da História angolana. “Estou a fazer investigação nesse sentido. É preciso trazer a História do povo angolano à ribalta”, afirmou. Relativamente ao livro sobre o Carnaval, o artista referiu que há uma necessidade urgente de se compreender, de facto, onde surgiu o Carnaval, como e quem são os seus precursores, pois a sua história continua a ser mal contada. Como antigo desportista, também tem finalizado o livro que aborda este sector no Marçal. Nascido na cidade de Benguela, a 29 de Março de 1943, Carlos Lamartine é filho de Sebastião José da Costa, jornalista, funcionário dos Correios, dançarino de rebita e um dos fundadores da Liga Nacional Africana, e de Ludovina da Silva. Aos 10 anos, Carlos Lamartine mudou-se com o pai e duas irmãs para o Bairro Indígena (actual bairro Nelito Soares), em Luanda. Em 2023, Lamartine lançou o seu primeiro livro de poesia, intitulado “Ser Poeta nas Harmonias e no Silêncio”, publicado pela Mayamba Editora. No mesmo ano, participou também na edição da obra “Semba: Perfil Histórico”, publicada pela Imprensa Nacional de Angola e pela União Nacional dos Artistas e Compositores – Sociedade de Autores. Aos 83 anos de idade, Carlos Lamartine tem produzido novas obras quer na música, quer na literatura. No ano passado, lançou o disco “Angola 50 anos: Esperança” produzido pela Estúdio Plenarium que surgiu depois de “Gerações Primeira”, em 2023. No ano passado no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, foi condecorado com a Medalha de Paz e Desenvolvimento pelo Presidente da República, João Lourenço. Carlos Lamartine é um dos compositores que marcou a época da canção revolucionária reflectidas nos singles onde constam “Jesus dialá uá kidi”, “Bassoka”, “Ngongo jami”, “Ngana losa losé”, “Pala kunu abesa o Muxima”, “Kuale ngo valolo”,”Ene” e “Ó Dipanda wondo tula kiá”. Na discografia, os álbuns “Angola Ano 1”, com o conjunto “Merengues”. O disco “Memórias” (1997), “Histórias da Casa Velha”(2001), “Cidrália”(2001), “Frutos do Chão São Coisas Nossas” (2005) e “Caminhos Longos” (2007).


