A responsabilidade das gerações actuais na construção do país, que vai ser deixado às futuras gerações, está no centro de “O Tempo Habitado”, livro de João Baptista Kussumua, apresentado, na quinta-feira, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.
A obra reúne crónicas e textos de reflexão sobre diferentes dimensões da sociedade angolana, resultantes de um percurso marcado pela observação, aprendizagem e convivência com realidades diversas.
Os textos, inicialmente publicados no Jornal OPaís e, posteriormente, no Jornal de Angola, surgiram de acontecimentos, memórias, observações e interrogações suscitadas pela realidade, que o autor foi registando ao longo do tempo.
Mais do que uma reunião de textos publicados, “O Tempo Habitado” apresenta-se como um exercício de memória e reflexão sobre o indivíduo e a sociedade, procurando compreender como as circunstâncias em que as pessoas vivem influenciam aquilo que são, pensam e constroem.
Durante a apresentação da obra, João Baptista Kussumua explicou que a publicação surgiu da necessidade de organizar ideias, reunir percepções e deixar registadas algumas das reflexões acumuladas ao longo da sua experiência.
“São temas variados, ligados por uma preocupação comum, a de compreender o ser humano no seu contexto e perceber de que modo as circunstâncias influenciam aquilo que somos e construímos”, afirmou.
Vida como matéria de reflexão
Para o autor, escrever sobre a realidade significa também reconhecer que a vida é muito mais ampla do que pode ser traduzida em palavras.
João Baptista Kussumua sublinhou que o propósito do livro foi partilhar com os leitores parte do que viveu, observou e questionou ao longo do seu percurso, deixando a cada um a liberdade de encontrar nas páginas da obra os significados que a sua própria experiência permite compreender.
A obra percorre temas como a memória, o conhecimento, a educação, as relações humanas, o desenvolvimento, as dificuldades sociais, a passagem do tempo e as escolhas individuais e colectivas.
As reflexões estendem-se igualmente às interrogações sobre o futuro, numa abordagem que procura estabelecer uma relação entre as experiências acumuladas no passado, os desafios do presente e a responsabilidade de construir uma sociedade mais preparada para as gerações vindouras.
Obra chama à consciência colectiva
A pedagoga e linguista Maria Helena Miguel, convidada para fazer a revisão da obra, considerou o conteúdo “extremamente interessante”, destacando a dimensão social das reflexões apresentadas.
Segundo a revisora, o título “O Tempo Habitado” remete para a necessidade de a sociedade se situar no tempo presente e assumir as suas responsabilidades na construção do país que vai ser deixado às futuras gerações.
“Foi com muito prazer, não só pelo conteúdo da obra, mas também pela beleza da escrita, que fiz essa revisão. Vale a pena ler esta obra, porque nos traz uma reflexão para olharmos para o país, bem como consciência e responsabilidade colectiva”, afirmou.
O jornalista Kumuenho da Rosa destacou a importância de manter uma ligação genuína com a comunidade e com os propósitos que orientam a criação artística e intelectual.
Ao revisitar os registos e as comunicações do autor, considerou que a obra evidencia a importância de uma criação que não se limita ao imediatismo, mas que procura compreender a realidade e estabelecer uma relação com o seu tempo.
“A criação, na sua forma mais elevada, assemelha-se ao movimento da natureza: possui uma evolução própria e uma lógica interna que transcende o imediatismo”, afirmou.




