O Yango Group concluiu o Yango Fellowship 2026, programa pan-africano dedicado ao desenvolvimento de talentos tecnológicos, reunindo 24 jovens de seis países africanos para criar soluções destinadas a responder a desafios concretos das comunidades e dos mercados do continente.
A iniciativa, encerrada em Abidjan, Côte d’Ivoire, conforme uma nota, contou com participantes provenientes da Côte d’Ivoire, Gana, Zâmbia, Senegal, Etiópia e Moçambique, seleccionados entre mais de 600 candidatos.
Durante 12 semanas, os participantes trabalharam em seis equipas constituídas por jovens de diferentes países, percorrendo várias etapas, desde a identificação e investigação dos problemas até à definição das soluções, modelação de negócios, prototipagem e apresentação dos projectos.
Os projectos desenvolvidos incidiram sobre áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento socioeconómico africano, incluindo transportes, saúde, inclusão financeira, emprego, gestão de resíduos e acesso à água.
Entre as soluções apresentadas está o desenvolvimento de sistemas de pagamentos sem numerário para transportes informais, ferramentas de identidade financeira digital para comerciantes informais, mecanismos para melhorar a visibilidade do fornecimento de medicamentos aos profissionais de saúde comunitária, plataformas de emprego transfronteiriço, sistemas inteligentes de recolha e reciclagem de resíduos e tecnologias de baixo custo para testar a qualidade da água em comunidades rurais.
12 mil dólares em prémios
O programa culminou com um Pitch Day, no qual os participantes apresentaram seis projectos de equipa e propostas individuais perante um júri composto por especialistas ligados aos sectores da tecnologia, investimento e indústria.
A cerimónia terminou com a atribuição de um fundo global de 12 mil dólares em prémios destinados a reconhecer os projectos considerados mais destacados nas categorias de equipa e individual.
Na categoria de equipas, a Africoded conquistou o primeiro lugar e recebeu 4.500 dólares, pelo desenvolvimento de uma plataforma baseada em inteligência artificial que procura ligar candidatos africanos a oportunidades de emprego transfronteiriço, trabalho remoto e desenvolvimento de carreira em diferentes mercados do continente.
O segundo lugar foi atribuído à Harambee, distinguida com 2.500 dólares, pela criação de uma plataforma inteligente de recolha e reciclagem de resíduos que estabelece uma ligação entre famílias, colectores de resíduos e recicladores.
Já a Bloom ficou em terceiro lugar, com um prémio de 1.500 dólares, graças ao projecto African Transit Payment Revolution, um sistema de cobrança de tarifas sem numerário destinado aos transportes públicos informais na África Oriental e Ocidental.
Na categoria individual, o prémio de Best Individual Project, no valor de 1.500 dólares, foi entregue ao zambiano Fredrick Mwepu, pelo desenvolvimento do RoboCore Zambia, uma plataforma de robótica concebida localmente para tornar o ensino prático de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) mais acessível e económico.
O segundo prémio individual, de 1.000 dólares, foi atribuído a Meshack Kwame Nartey, do Gana, pelo projecto Shuttle Smart Ghana, uma aplicação destinada a monitorizar os transportes universitários e disponibilizar aos estudantes informações em tempo real sobre a chegada dos veículos.
A senegalesa Oulimata Rose Dia recebeu igualmente 1.000 dólares, na categoria de Best Technical/AI Contribution, pelo projecto Smart Bin Collection, um sistema alimentado por energia solar que permite acompanhar em tempo real o nível de enchimento dos contentores e utiliza conectividade 2G para apoiar uma recolha de resíduos mais eficiente.
Tecnologia ligada aos desafios locais
Para além da apresentação dos projectos, o programa de encerramento em Abidjan incluiu sessões de formação, contacto com especialistas e encontros com líderes do Yango Group provenientes de diferentes mercados africanos.
Os Fellows participaram numa sessão dedicada à utilização da inteligência artificial para gerar impacto, conduzida por Celina Lee, cofundadora da Zindi, além de actividades práticas de oratória e preparação para apresentações.
O programa incluiu igualmente encontros com responsáveis do Yango Group, nos quais foram abordados temas relacionados com desenvolvimento de carreira, empreendedorismo e criação de empresas tecnológicas adaptadas aos diferentes contextos africanos.
Segundo Shashi Singh, Director of Operations da Yango Ride MEA & Asia, a elevada procura pelo programa demonstra a existência de uma ampla base de talento jovem no continente.
“600 candidaturas para 24 vagas não significa que África tenha falta de talento; significa que existe uma quantidade significativa de talento à espera de acesso estruturado a mentoria e oportunidades”, afirmou.
O responsável acrescentou que o continente dispõe de jovens com capacidade para desenvolver soluções, mas que continuam a existir desafios relacionados com o acesso a mentores, redes de contactos e oportunidades para testar ideias em situações reais.
“África não tem falta de jovens brilhantes. O que é mais difícil de encontrar é um mentor, uma rede de contactos e a oportunidade de testar uma ideia perante um problema real. É precisamente essa lacuna que o Fellowship procura colmatar”, sublinhou.
STEM e formação de jovens
O vencedor do prémio de melhor projecto individual, Fredrick Mwepu, explicou que o RoboCore Zambia nasceu da sua própria experiência enquanto estudante interessado em tecnologia e robótica.
“Enquanto crescia, as ferramentas práticas de STEM eram algo que eu só via em vídeos — o RoboCore Zambia existe para colmatar essa lacuna”, afirmou.
O jovem zambiano considerou que a iniciativa poderá contribuir para que outros estudantes tenham maior acesso a ferramentas e experiências práticas na área tecnológica.
Mwepu destacou ainda a experiência de participar num programa que lhe permitiu viajar, conhecer jovens de outros países africanos e aprender directamente com especialistas e líderes das áreas de tecnologia e inteligência artificial.
Investimento no capital humano africano
O Yango Group considera que o crescimento da economia digital africana depende não apenas da expansão das infra-estruturas tecnológicas, mas também da formação de pessoas capazes de desenvolver, adaptar e implementar soluções de acordo com as necessidades específicas de cada mercado.
Neste sentido, o Yango Fellowship procura contribuir para o desenvolvimento de engenheiros, empreendedores e profissionais de tecnologia com experiência prática e conhecimento dos contextos locais.
A empresa defende que os diferentes mercados africanos apresentam realidades distintas em matéria de infra-estruturas, comportamentos dos consumidores e necessidades económicas e sociais, tornando o conhecimento local um elemento relevante para o desenvolvimento de empresas e soluções tecnológicas.
O Fellowship surge, assim, como uma das iniciativas através das quais o grupo procura reforçar a cadeia de talentos tecnológicos no continente e estabelecer ligações entre jovens profissionais, empreendedores, especialistas, investidores e outros actores do ecossistema de inovação africano.
A edição de 2026 terminou com 24 Fellows, seis países representados, seis equipas de projecto e mais de 600 candidaturas, num programa que colocou a tecnologia e a inovação como ferramentas para responder a desafios concretos enfrentados por diferentes comunidades africanas.




