A preocupação com a formação intelectual das novas gerações, a valorização da identidade cultural angolana e a construção de uma sociedade mais atenta aos direitos e às necessidades da criança estão entre as principais inquietações da escritora Soraia Mendes, que, por meio da poesia, procura despertar a consciência colectiva para o futuro do país.
Estas preocupações estão reflectidas na sua mais recente obra, intitulada “Os sonhos que cantam Angola”, cujos poemas chamam a atenção para a responsabilidade da sociedade na construção de um país que asse- gure melhores condições de vida, educação e protecção às crianças e aos jovens.
A autora considera que as novas gerações devem ocupar um lugar de destaque na reflexão sobre o percurso e o futuro do país, não apenas por representarem a continuidade da História nacional, mas também por serem protagonistas do presente e agentes da transformação social.
Uma das principais motivações para a escrita da obra foi a celebração dos 50 anos da Independência Nacional, assinalados em 2025. Segundo Soraia Mendes, apesar das várias actividades realizadas no âmbito das comemorações, a maioria foi dedicada aos adultos, tendo sido poucas as iniciativas direccionadas às crianças.
Perante esta realidade, a autora sentiu a necessidade de criar uma obra que concedesse protagonismo à infância, valorizando os seus sonhos, direitos, preocupações e aspirações.
“Por via dos poemas, procuro alertar para a responsabilidade da sociedade na construção de um país que assegure melhores condições de vida, educação e protecção às novas gerações”, afirmou.
Constituída por 46 poemas, a obra propõe uma viagem do passado ao futuro, abordando a condição da criança angolana desde 1975 até à actualidade e apresentando a visão da escritora sobre o país que gostaria de encontrar em 2075, sobretudo no que diz respeito à protecção, ao cuidado e à garantia dos direitos dos mais pequenos.
Soraia Mendes explica que a obra aborda Angola a partir da perspectiva da criança, por acreditar que o desenvolvimento do país depende do contributo e da responsabilidade de cada angolano.
“Espero que o livro possa ser lido e reflectido pela sociedade em geral. É uma obra infanto-juvenil, mas que pode ser apreciada por todo o público”, frisou.
A obra foi apresentada na quinta-feira, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, numa cerimónia que reuniu escritores, representantes do meio cultural e crianças, principais destinatárias da publicação.
O encontro contou com a presença de vários escritores, entre os quais Cremilda de Lima, Celestina Fernandes, Yola Castro e Akiz Neto. Apesar da participação de figuras da literatura nacional, o destaque foi dado às crianças presentes, numa iniciativa que procurou valorizar a sua relação com os livros e a literatura.
Soraia Tchitiku Mendes, nome literário de Lourença Soraia Câmia Mendes Pakissi, é escritora, poeta, professora e formadora angolana. Natural do Lubango, é licenciada em Ciências da Educação, opção Psicologia, e exerce funções docentes no Instituto Politécnico de Artes (CEART).
Iniciou o seu percurso literário na Brigada Jovem de Literatura de Angola. Ao longo de mais de duas décadas de criação literária, tem construído uma obra marcada pela infância, pela identidade angolana, pela memória, pelos afectos e pela Educação.




