O presidente da Organização dos Professores e Amigos de Língua Portuguesa de Malanje (OPALPM), Antero António, defendeu, naquela cidade, que a valorização de uma língua não deve ocorrer em detrimento de outra, uma vez que a diversidade linguística constitui parte importante do património cultural e histórico da região e de Angola.
Antero António, que falava ao Jornal de Angola, à margem de um encontro, subordinado ao lema “A Situação Etnolinguística de Malanje, Supremacia do Kimbundu e a Afirmação Geo-histórica do Songo”, afirmou que o debate serviu igualmente para aproximar diferentes perspectivas sobre a identidade dos povos da província e incentivar novas pesquisas nas áreas da História, Geografia, Cultura e Linguística.
Apesar das divergências apresentadas, o responsável considerou que o encontro permitiu criar um espaço de diálogo entre professores, investigadores, estudantes e membros da sociedade interessados na preservação das línguas nacionais e da cultura angolana.
Antero António apelou às instituições públicas, professores, investigadores e à sociedade civil para uma maior colaboração na promoção e preservação das línguas nacionais.
Segundo o responsável, o investimento na investigação e valorização dessas línguas contribui para a preservação da história, dos costumes e dos valores das comunidades e para o fortalecimento da diversidade cultural do país.
Songo em debate
Sobre a classificação do songo, Antero António defendeu uma posição distinta da que considera uma variante do kimbundu ou do cokwe.
“A língua songo é um idioma autónomo e independente e não uma variante do kimbundu ou do cokwe, apesar de apresentar semelhanças lexicais e sintácticas com essas línguas devido à convivência e aos empréstimos linguísticos”, afirmou.
Acrescentou que o songo possui características próprias, incluindo formas de expressão e um sistema de escrita que, segundo defendeu, devem ser objecto de estudos mais aprofundados.
A discussão destacou, por fim, a importância de continuar a investigar o património linguístico de Malanje, de modo a esclarecer as relações históricas entre as diferentes comunidades e contribuir para a preservação das línguas nacionais.
Os participantes defenderam, igualmente, a realização de estudos científicos que permitam aprofundar o conhecimento sobre as origens, relações e transformações das línguas faladas na província, evitando interpretações baseadas apenas na tradição oral ou em informações sem comprovação científica.
O encontro reforçou a necessidade de valorizar as línguas nacionais e garantir às diferentes comunidades linguísticas espaço para a afirmação da sua identidade cultural.
A OPALPM reafirmou, por sua vez, o compromisso com a promoção da língua portuguesa, da investigação linguística e da valorização do património cultural de Malanje.
Durante o debate, foram analisadas questões relacionadas com a convivência histórica entre os povos Ambundu e Vassongu, bem como a presença e o papel das respectivas línguas no contexto sociocultural de Malanje.
O presidente da OPALPM em Malanje, Antero António, explicou que uma das principais questões levantadas durante o encontro esteve relacionada com a classificação do songo.
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