O acto de resistência protagonizado por negros escravizados e libertos na histórica Revolta dos Malês, em Salvador, é o ponto de partida de “Malês”, novo filme do actor e cineasta brasileiro Antônio Pitanga, exibido na sexta-feira, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda.
A sessão reuniu amantes e figuras ligadas ao cinema angolano e enquadrou-se na programação da 17ª Semana do Brasil em Angola, colocando em debate um dos episódios marcantes da luta contra a escravidão no Brasil. A revolta, ocorrida em 1835, mobilizou a população negra escravizada e liberta pelas ruas de Salvador.
Numa intervenção por videoconferência, o realizador brasileiro Antônio Pitanga revelou que levou 29 anos para concretizar o projecto cinematográfico, que revisita parte da História do século XIX e procura recuperar a memória de africanos sequestrados e levados para o Brasil, durante o período da escravidão.
O cineasta destacou os conhecimentos e saberes trazidos por essas populações, contrariando representações históricas que reduziram os africanos escravizados à condição de mão-de-obra. Segundo Antônio Pitanga, muitos dominavam áreas como a Física, Engenharia e Aritmética.
Entre os espectadores, o presidente da Associação Angolana de Profissionais de Cinema e Audiovisual, Sílvio Nascimento, destacou o papel do cinema na promoção de debates sobre questões sociais e históricas.
Por sua vez, o curador do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda), Jorge Cohen, sublinhou a profundidade dos laços históricos entre Angola e o Brasil, considerando o cinema um dos principais instrumentos de aproximação e partilha cultural entre os dois países.
Com cerca de duas horas de duração, ”Malês” foi lançado no ano passado e conta com a participação de nomes conhecidos do cinema brasileiro, entre os quais o próprio Antônio Pitanga e os seus filhos, Rocco Pitanga e Camila Pitanga.



