A necessidade de os artistas conhecerem e protegerem os seus Direitos de Autor esteve entre os temas defendidos por Manuel Gonçalves, durante a “Conversa com o Homenageado”, que decorreu, no sábado, no Teatro Elinga, em Luanda, integrada na 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT).
Sobre a matéria, o homenageado considerou importante que os artistas recorram a esta ferramenta, por se tratar de um direito privado que deve ser conhecido e salvaguardado. A conversa abordou também a actividade artística e a necessidade de os criadores conhecerem e protegerem os seus direitos.
As memórias de uma vida construída entre a Cultura, Educação, Desporto, Direito e a Dimensão Religiosa estiveram no centro da “Conversa com o Homenageado Manuel Gonçalves”.
A valorização da cultura nacional esteve entre as mensagens deixadas por Manuel Gonçalves, que defendeu a importância de os angolanos valorizarem aquilo que é produzido no país e assumirem a própria identidade cultural.
“Temos de valorizar a nossa cultura. Podemos ser nós mesmos e não precisamos estar a reproduzir sempre as coisas dos outros. A nossa cultura é vasta e rica em todos os seus aspectos”, defendeu.
Na conversa, Manuel Gonçalves mencionou André Mingas e Manuel Sebastião como “os meus dois mestres”, destacando referências que considerou importantes na sua formação.
A sessão contou com um momento musical de abertura, protagonizado por artistas do Complexo das Escolas de Arte (CEARTE), e com a presença de um dos filhos de Manuel Gonçalves, cuja identidade preferiu não revelar, num ambiente que procurou aproximar diferentes gerações da história e das experiências do homenageado.
Ao longo da conversa, o vice-governador para o Sector Político e Social, Manuel Gonçalves, falou também sobre os seus 29 anos de casamento e sobre a importância que a família ocupa nas decisões e nos projectos que desenvolveu ao longo da vida.
Manuel Gonçalves defendeu que, apesar das diferenças e dos defeitos de cada pessoa, é fundamental preservar o diálogo dentro da família.
Nesse capítulo, recordou também a mãe, que já tinha falecido em 1996. Em tom emocionado, partilhou a dor de não ter conseguido, enquanto estava viva, oferecer-lhe um fogão de quatro bocas, objecto que hoje teria condições para adquirir.
Questionado sobre a possibilidade de deixar um livro a contar sobro o seu legado, Manuel Gonçalves revelou que ainda não pensou na ideia e admitiu que nem saberia como escrever sobre a própria trajectória. Sobre a dimensão religiosa da sua vida e o momento em que colocou Deus no centro de tudo, respondeu de forma directa “Ele é infinito e está acima de tudo”, apontou.
Ao reflectir sobre o CIT, caracterizou a iniciativa como uma plataforma que, ao longo das suas edições, alcançou um nível de organização que despertou o interesse das pessoas.
“Necrófagos” leva à cena confronto de várias gerações
A peça teatral “Necrófagos”, apresentada no sábado, no Teatro Elinga, pelo grupo cénico Twasakidila , ganhou vida no palco do Elinga Teatro, em Luanda, por meio de um enredo que coloca em confronto diferentes perspectivas sobre a preservação dos valores tradicionais e culturais numa sociedade marcada pela globalização. A obra reúne três personagens um juiz, um jovem e um carcereiro que conduzem a narrativa e apresentam diferentes lados de uma mesma realidade social.
No drama, o juiz assume a defesa da preservação dos valores tradicionais e culturais, enquanto o jovem encara a globalização como um dos factores que dificultam a valorização das tradições, criando uma divergência que sustenta o desenvolvimento da história. A peça, que teve a sua estreia no Teatro Elinga, tem prevista uma nova apresentação na Casa da Cultura do Rangel, no fim do próximo mês.




