O crítico literário Manuel Muanza defendeu uma maior difusão da poesia e discursos de Agostinho Neto junto das novas gerações. O académico foi conferencista convidado na quarta conferência do ciclo do mês de Setembro da série Conversas da Academia à Quinta-feira, neste ano que assinala o 10.º aniversário da proclamação da Academia Angolana de Letras.
O autor do livro intitulado “Histórias Curtas da Vida de Agostinho Neto” abordou o tema “A voz de Neto na Sala de Aulas: Poesia e Política”, na presença de académicos de Angola, Brasil, França, Itália, Moçambique e Portugal. As duas conferências da segunda quinzena de Setembro inserem-se na comemoração do 104.º aniversário natalício de Agostinho Neto.
Sob moderação da pedagoga Aldora Cadete, o conferencista apresentou uma abordagem pedagógica da obra de Agostinho Neto, que é utilizada como material didáctico na disciplina de Estudos Literários, no curso de Mestrado do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED).
Manuel Muanza explicou a forma como professores e estudantes procuram respostas aos elementos poéticos e à relação entre a poesia e o pensamento político de Neto, utilizando exemplos específicos como os contidos nos poemas “Doze Anos de Distância” e “Caminho do Mato”.
O professor diz que questiona os seus estudantes acerca do “porquê de aparecerem nos poemas de Neto, repetidas vezes, palavras como negrura, branco, fé, esperança, batuque, barco, sanzala ou mato, bem como estados emocionais como medo, coragem e luta”. Outro aspecto mencionado tem a ver com o misticismo, muito presente em “Sagrada Esperança”.
Ao responder a uma pergunta acerca daquilo que Neto teria escrito após a proclamação da Independência, Manuel Muanza recordou quando Neto disse numa entrevista à jornalista italiana Augusta Conchiglia: “Vou escrever quando decidir descansar” o que, segundo Uanhenga Xitu, tinha a ver com o facto de Agostinho Neto lhe ter confidenciado que deixaria a política no início da década de 80, para se dedicar exclusivamente à literatura.
No encerramento, Manuel Muanza recomendou uma maior difusão, junto das novas gerações, da obra escrita e dos vídeos e áudios de Agostinho Neto, também enquanto político e estadista. Dispondo de recursos, obviamente que a Academia Angolana de Letras poderia se enquadrar num projecto como este, ao lado da Rádio Nacional de Angola e da Televisão Pública de Angola.
A próxima série Conversas da Academia à Quinta-feira está agendada para o dia 1 de Outubro, às 19 horas.




