O grupo de dança Mbana Ndómbolo, do bairro Hombe de Baixo, município de Belize, sagrou-se vencedor, na última quarta-feira, da primeira edição do Festival de Dança Tradicional Nzola, em Cabinda.
O evento integrou as celebrações dos 70 anos da elevação da antiga vila de Ntango Mbata à categoria de concelho de Belize e reuniu dez grupos concorrentes, formados exclusivamente por mulheres que exibiram indumentárias, ritmos e coreografias ancestrais.
Realizada na vila de Belize, a iniciativa foi testemunhada pela governadora provincial, Suzana de Abreu, atraindo centenas de espectadores de todas as idades.
O festival, promovido pela Secretaria Provincial da Cultura, visa resgatar e salvaguardar as expressões artísticas regionais em risco de extinção.
Na ocasião, o secretário provincial da Cultura, Manuel Guilherme, sublinhou que o trabalho desenvolvido desde a década de 90, em parceria com a Associação dos Grupos Folclóricos locais, já permitiu recuperar manifestações históricas como o Nzola, Nyoyo, Libondo, Lélica, Sunsa, Nzoca e Matchatcha.
O responsável destacou, com satisfação, o crescente interesse da juventude pelas raízes locais, factor que tem sido determinante para a sobrevivência de danças ainda activas na província, tais como o mayeye, kintuene, nzoca, baine, maringa e merengue.
A respeito do estilo que deu nome ao certame, Manuel Guilherme explicou que o Nzola é uma dança tradicional típica da região norte de Cabinda, com forte enraizamento na mística floresta do Maiombe.
O responsável detalhou que esta manifestação cultural, executada com passos cadenciados e movimentos corporais carregados de simbolismo, vai muito além do entretenimento: historicamente, o Nzola funciona como uma forma de expressão social usada para celebrar a união, a fertilidade e os laços afectivos dentro das comunidades, sendo tradicionalmente liderada por mulheres que carregam o testemunho da ancestralidade através do ritmo.
Por esse motivo, a escolha de Belize para acolher o festival representou uma oportunidade estratégica para despertar o orgulho identitário nas novas gerações.
O secretário garantiu que o sector vai continuar a apoiar projectos focados na valorização e na preservação perene da identidade cultural do povo de Cabinda.
Participação do público
Para Dinis Nvula, de 39 anos, assistir ao Festival Nzola foi uma experiência fantástica, sobretudo por se tratar de uma manifestação cultural que, segundo o próprio, se encontrava em vias de extinção.
Quem também partilhou do mesmo entusiasmo foi Rosa Odeth, de 23 anos. Vinda do município de Cacongo acompanhada por uma amiga especialmente para o evento, a jovem confessou ter ficado impressionada com as apresentações e manifestou o desejo de dominar a técnica.
“Fiquei encantada com esta dança tradicional e confesso que estou muito interessada em aprender a dançar o nzola”, afirmou.
António Soares | Belize




