Os artistas plásticos António Gonga, Paulo Benvindo e Álvaro Yéca pediram, ontem, em Luanda, maior interactividade e proximidade da liderança da instituição com os membros.
As declarações foram feitas à margem do quadragésimo nono aniversário da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), que se celebra hoje, cuja programação vai contar com uma exposição colectiva.
António Gonga, membro da instituição há mais de duas décadas, recorda que anteriormente a UNAP tinha uma ferramenta-voz, e que perante o défice da literacia do povo, onde a arte dá imagem, era uma poderosa linguagem para a educação multifacetada para a cidadania.
O artista ressalta que outrora se empreendia esforço no sentido de transmissão de conhecimentos por via de formações de curta duração e que teve efeito multiplicador, tanto é que muitos artistas actualmente consagrados são fruto destes cursos.
Os desafios da instituição, disse, são enormes, e num mercado marcado pela “segregação” da classe, também se devem reconhecer os ganhos, como por exemplo, a carteira profissional, que foi uma conquista para os artistas.
“Por via da carteira profissional, os criadores podem ter acesso a uma plataforma financeira”, disse.
A identidade assente na angolanidade é, para o artista, um “manto de retalho” e um acto contínuo que se vem “costurando” na UNAP. Contudo, espera-se que o próximo aniversário, que vai ser a celebração do jubileu, seja libertador da sensibilidade associativista.
O artista plástico Paulo Benvindo começou por felicitar a organização pela celebração dos 49 anos, apontando a reabilitação e a carência de matérias-primas como os desafios que se devem ultrapassar , no sentido de garantir melhores condições de trabalho aos artistas e membros da instituição.
Segundo Paulo Benvindo, a perspectiva do futuro da organização centra-se na modernização institucional, descentralização cultural e na internacionalização das artes visuais e plásticas nacionais.
O artista reconheceu o legado deixado pelos membros fundadores da UNAP, cujo único objectivo foi unir, proteger e dar maior visibilidade aos criadores das artes visuais e plásticas, sobretudo aos da nova vaga.
“Os membros fundadores deixaram um bom legado, porque sempre mantiveram o foco na integração de novas gerações para a coesão social, conservação dos valores, princípios morais e conservação da identidade cultural dos angolanos”, frisou.
O artista sugeriu o diálogo aberto, um associativismo coeso, pluralismo e maior foco nos projectos colectivos em prol das artes plásticas e da cultura nacional, no sentido de atrair um número expressivo de apreciadores, galeristas e coleccionadores nacionais e internacionais.
Por sua vez, o artista plástico Álvaro Yéca, membro da UNAP há seis anos, cujo primeiro contacto foi há 22 anos, pediu maior divulgação da organização, porque pouco se fala deste órgão das artes plásticas, assim como mais interactividade e proximidade entre os líderes e os artistas.
O artista sublinhou que, ao longo dos dois últimos anos, tem havido maior expansão da organização, contudo, existem ainda vários desafios, entretanto, como membro da nova vaga de artistas, espera haver melhorias significativas.




