A cidade do Cairo, no Egipto, homenageou Agostinho Neto com a inauguração de um busto do primeiro Presidente de Angola na Praça dos Heróis.
Segundo um comunicado do Ministério da Cultura a que o VerAngola teve acesso, a cerimónia enquadrou-se nas celebrações do Dia do Herói Nacional e Fundador da Nação Angolana, assinalado a 17 de Setembro.
"No âmbito das jornadas alusivas às comemorações do 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional e Fundador da Nação Angolana, a cidade do Cairo acolheu, no passado dia 19 de Setembro, uma cerimónia de descerramento do busto de António Agostinho Neto", pode ler-se na nota.
A cerimónia "reuniu entidades governamentais angolanas e egípcias, diplomacia internacional e convidados na capital do Egipto", entre os quais o ministro da Cultura, Filipe Zau, o embaixador de Angola no Egipto, Maquento Sebastião Lopes, o governador do Cairo, Ibrahim Saber, entre outros.
Na ocasião, o ministro da Cultura destacou a "honra insigne" de prestar homenagem ao "Pai da Nação" no Egipto.
"O governante enalteceu o papel histórico do Egipto, país fundador da Organização de Unidade Africana (OUA) e do Movimento dos Países Não-Alinhados, recordando o apoio político, diplomático e logístico prestado pelo Presidente Gamal Abdel Nasser à causa da independência de Angola", refere o comunicado.
Segundo a nota, o "discurso percorreu os marcos marcantes da trajectória do médico, poeta e estadista Agostinho Neto, desde a sua juventude, as prisões políticas impostas pelo regime colonial português e a fuga para Marrocos em 1962, até à liderança do MPLA e à solene proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975".
Além disso, "a dimensão cultural e humanista do homenageado foi igualmente destacada com a citação de versos do poema 'Sinfonia' (1948), obra integrante do livro Sagrada Esperança".
"Integrado no programa comemorativo do 17 de Setembro, o descerramento do busto do Poeta Maior, distinguido em 1970 com o Prémio Lotus, perpetua a sua memória pan-africanista e reforça historicamente os laços de fraternidade, amizade e cooperação entre os povos de Angola e do Egipto", lê-se ainda na nota do ministério.
Segundo a Angop, o busto de Agostinho Neto está situado no Al-Horreya Garden, na ilha de Zamalek, passando a fazer parte de um local que conta com 24 estátuas de personalidades históricas do Egipto e de outros países, tais como Mahatma Gandhi, Francisco Santander e Bernardo O'Higgins.
Além disso, os dois países, que este ano assinalam 50 anos de relações diplomáticas, também reforçaram a sua cooperação cultural com a assinatura de um memorando de entendimento.
"Angola e o Egipto deram a 19 de Setembro, um novo impulso às relações de cooperação cultural, com a assinatura de um memorando de entendimento, assinado pelo ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, e pelo ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica, Abdelaziz Konsowa, que, interinamente, responde pelo Ministério da Cultura da República Árabe do Egipto", refere outro comunicado do Ministério da Cultura a que o VerAngola teve acesso.
Este instrumento, adianta a nota, "reafirma a vontade dos dois países em aprofundar os laços de amizade e promover, entre outras acções, iniciativas de formação, nomeadamente, nas áreas da arqueologia e museologia".
Na ocasião, Filipe Zau realçou "a cultura como uma das mais sólidas pontes de entendimento entre as nações, sublinhando o compromisso de Angola em continuar a utilizá-la como instrumento de diálogo, aproximação entre os povos e consolidação das relações de cooperação".
O ministro também defendeu "a necessidade de ampliar o debate sobre justiça social para africanos e afrodescendentes, bem como o resgate de bens culturais, que constituem a identidade patrimonial africana".
"Neste quadro, o memorando de entendimento estabelece as bases para o desenvolvimento de programas e iniciativas conjuntas, estando prevista a elaboração de um plano de acção que permitirá conferir maior concretização, dinamismo e visibilidade à cooperação cultural agora formalmente estabelecida", lê-se na nota.
Na cerimónia, o ministro também abordou o "processo de candidatura da música e da dança Semba à classificação pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, prevista para Novembro próximo, na República Popular da China, tendo solicitado o apoio institucional do Egipto a esta importante iniciativa de valorização e projecção internacional do património cultural angolano".



