Ministra Margareth Menezes enaltece património da Ombala Yo Mbalundu

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, enalteceu, na vila do Bailundo, província do Huambo, o Património Histórico e Cultural preservado na Ombala Yo Mbalundu e reafirmou o compromisso em reforçar a cooperação no domínio da Cultura, com destaque para a valorização da herança africana comum aos dois povos.
Margareth Menezes falava durante uma visita realizada, na quarta-feira, à Ombala Yo Mbalundu, integrada na agenda de reforço da cooperação cultural entre Angola e Brasil. No fim da deslocação, classificou a experiência como um momento marcante, por lhe permitir conhecer de perto um importante símbolo da História e identidade do povo Ovimbundu. De acordo com a governante, os dois países partilham uma herança histórica que fortalece os laços de irmandade entre os povos. “Esta ligação representa memória, sangue e irmandade entre Angola e o Brasil”, afirmou. A ministra destacou que o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tem orientado o reforço das relações com os países africanos, sobretudo os de língua portuguesa, por meio da cultura, considerada um instrumento de aproximação entre os povos. A governante referiu que o Memorando de Entendimento, recentemente assinado entre Angola e o Brasil, vai permitir desenvolver projectos conjuntos em diferentes domínios, incluindo a Preservação do Património, Formação Artística e o Intercâmbio Cultural. “Estamos na Ombala Yo Mbalundu para fortalecer as nossas relações culturais. Este Memorando abre um novo ciclo de colaboração e permitirá desenvolver várias iniciativas conjuntas”, afirmou. Visivelmente emocionada com a recepção da Corte Tradicional, Margareth Menezes agradeceu a hospitalidade do Reino do Bailundo e considerou a visita um reencontro simbólico com as raízes africanas. “Fiquei encantada com a força deste povo, com a preservação da sua memória e das tradições. Este património constitui uma referência importante para a identidade dos nossos povos e para a História da Humanidade”, afirmou, defendendo maior reconhecimento do contributo dos povos africanos para a civilização mundial. Margareth Menezes anunciou que a parceria entre Angola e o Brasil vai ser concretizada por meio de acções culturais, envolvendo instituições brasileiras e o Reino do Bailundo, com vista à valorização da História e do património comum. Rei destaca reencontroentre África e a diásporaNa ocasião, o Rei do Bailundo, Tchongolola Tchongonga Ekuikui VI, afirmou que a visita da ministra da Cultura do Brasil representa mais do que um acto protocolar, simbolizando o reencontro entre África e os seus descendentes espalhados pelo mundo. “Hoje, celebramos a vitória da identidade sobre o apagamento da nossa história. Recebemos uma filha de África que regressa ao ventre das suas origens”, afirmou. O soberano considerou que Angola e o Brasil são povos ligados por uma história comum, marcada pela diáspora africana e recordou que, apesar da escravização, os africanos preservaram a sua identidade, música, dança, espiritualidade e os costumes, transmitindo-os às gerações seguintes. Segundo Tchongolola Tchongonga Ekuikui VI, o Reino do Bailundo continua a ser um dos principais guardiões da memória histórica do povo Ovimbundu e um símbolo da preservação da ancestralidade. Ao concluir, apelou ao aprofundamento da cooperação entre os dois povos. “Podem tentar apagar os nossos nomes ou silenciar as nossas vozes, mas a ancestralidade permanece viva. Quando África chama os seus filhos, o oceano deixa de ser distância para se transformar em caminho”, reconheceu. “Levo tanta emoção e beleza da cultura angolana” A ministra Margareth Menezes afirmou, durante a sua visita à província do Huambo, que vai regressar ao seu país levando “tanta emoção e beleza” da tradição e da cultura angolana, destacando os fortes laços históricos e culturais que unem os dois povos. A governante brasileira fez estas declarações, na quarta-feira, durante um mega espectáculo de boas-vindas, realizado no Centro Cultural Manuel Rui, animado pelos músicos Edna Mateia, Bela Essanjo, Hernâni Vasconcelos e pela Banda Geração Nova. Na ocasião, Margareth Menezes salientou que Angola e Brasil partilham profundas afinidades culturais, visíveis na música, na gastronomia, na forma de vestir e em várias manifestações tradicionais.“Existe uma grande irmandade entre os nossos povos. Há uma forte conexão com os traços culturais de Angola e do Brasil, seja na culinária, seja na maneira de vestir ou em tantas outras expressões culturais que temos em comum”, afirmou. A ministra acrescentou que os dois países vivem uma nova etapa de fortalecimento da cooperação cultural, defendendo a valorização das raízes africanas. “Estamos num processo de ampliação das relações culturais. É importante resgatar e fortalecer os laços com África, e Angola é, sem dúvida, um dos países fundamentais neste processo, pelas profundas ligações que mantém com a história e as tradições do Brasil”, sublinhou. A nossa missão é resgatar estas relações e ampliá-las cada vez mais com este grande país, ao qual temos muito a agradecer. Angola possui um povo forte nas suas tradições, com muita alegria e energia, mesmo nos momentos mais difíceis, disse. Margareth Menezes enalteceu ainda a imponência do Centro Cultural Manuel Rui, considerando-o um importante espaço de promoção da arte, da cultura e do intercâmbio entre Angola e o Brasil. Adolfo Mundombe | Bailundo e Estácio Camassete | Huambo


