O canto e as coreografias em palco de Ndaka yo Wiñi e as presenças de Selda e Carlos Lopes, convidados do anfitrião, encantaram os espectadores numa celebração da tradição e modernidade durante o concerto de estreia do projecto Noite African Jazz, realizada na quinta-feira, no Palácio de Ferro, em Luanda.
O projecto é uma iniciativa artístico-cultural da Izenu e Ombenje, dedicada à valorização, promoção e celebração da música africana, com particular destaque para o jazz enquanto linguagem de identidade e diversidade cultural do continente.
O concerto teve como anfitrião o músico, compositor e investigador cultural Ndaka yo Wiñi, um dos artistas mais activos na pesquisa e preservação das sonoridades africanas tradicionais, com uma perspectiva contemporânea.
A abertura do espectáculo teve a cargo do grupo de dança tradicional que o artista apadrinha. Antes de apresentar os temas propostos para o concerto chamou João Vigário, director do Palácio de Ferro, para se fazer uma retrospectiva da carreira artística de Ndaka yo Wiñi, marcada com este espaço de cultura desde a III Trienal de Luanda e da parceria na produção cultural que ambos mantêm há mais de uma década.
O “homem da cabaça” teve entre a plateia, Filipe Zau, ministro da Cultura, e aproveitou o palco para agradecer o também músico e investigador, pelos anos de parceria. O primeiro momento de Ndaka yo Wiñi decorreu com a evocação aos espíritos dos antepassados em “Mayeye”.
Em palco, no primeiro bloco, desfilou “Vakale”, “Sekulu Anduku”, “Lundongo no Lwandu”, “Lombolola”, “Nsuku Zambi” dentre outras autorais, para, de seguida, chamar Selda , que interpretou dois temas, dentre os quais “Namora comigo”.
Na parte final, Carlos Lopes, o segundo convidado, começou por interpretar “Nzoloame” tema em kikongo para interromper a sequência do umbundu e depois mostrou a diversidade linguística do país, em “Onangombe”, em nyanekha humbi, partilhado em palco com Ndaka yo Wiñi.
Os três protagonistas do espectáculo dividiram a atenção no clássico “Kuito”, para recuperar a hegemonia do umbundu, momento marcado pela jam session, um improviso. “Tchove Tchove”, “Ndikalikenda”, “Ukolo” e demais músicas proporcionaram uma viagem à ancestralidade, terminando ao som de “Pasuka”.
Diversidade de eventos
Ao longo do concerto, o artista agradeceu a parceria da Izenu, plataforma de streaming angolana que lançou o desafio para o projecto e prometeu continuidade do Noite African Jazz, assim como os projectos de pesquisas, empreendimento cultural e novos temas.
Filipe Zau enalteceu a iniciativa e reiterou a vontade do Ministério da Cultura em manter uma agenda artística activa. Incentivou os promotores e artistas a criarem eventos do género e prometeu maior diversidade e novos espaços com as reinaugurações do Cine Teatro Nacional e o Cine Alfas.
Em declarações ao Jornal de Angola, a coordenadora do evento, Cristina de Almeida, explicou que o Noite African Jazz é um projecto idealizado pela Izenu, com o objectivo de criar um espaço nobre de celebração da música africana em Luanda, cruzando ancestralidade, contemporaneidade e excelência artística.
“Mais do que um concerto, o Noite African Jazz propõe-se como um espaço de encontro entre gerações, estilos e memórias, onde o jazz é revisitado a partir da sua matriz africana”, acrescentou.
A organização garante uma produção intimista e sofisticada, com repertório autoral, releituras e momentos de improvisação colectiva. A primeira edição do Noite African Jazz insere-se numa agenda cultural que visa afirmar Luanda como capital de diálogo musical africano.
Ndaka yo Wiñi, nome artístico de Adriano Dokas, nasceu no Lobito, Benguela, em Umbundu, o seu nome significa “A voz do povo”. Filho de músicos, é também músico, compositor, instrumentista e investigador cultural, considerado como embaixador do género Lundongo e defensor acérrimo das línguas nacionais e da ancestralidade angolana.




