A obra literária de Uanhenga Xitu, marcada pela valorização da cultura popular e ligação às raízes do povo angolano, esteve em destaque numa conferência promovida em Luanda, pela Academia Angolana de Letras, no âmbito do ciclo “Conversas da Academia à Quinta-feira”.
O encontro, subordinado ao tema “Modernidade(s), modernismo(s) e a obra de Uanhenga Xitu” foi orientado pelo sociólogo José Carlos Venâncio, professor catedrático da Universidade da Beira Interior, em Portugal, e reuniu académicos de Angola, Bélgica, Brasil, Moçambique, Polónia e Portugal.
Durante a abordagem, o conferencista analisou o conceito de modernidade na arte e na literatura, antes de se debruçar sobre o percurso literário de Uanhenga Xitu, com destaque para as obras “Mestre Tamoda”, “O Ministro” e “Vozes na Sanzala”.
José Carlos Venâncio identificou três géneros literários na produção do escritor como o ensaio, relato de memórias e a ficção, sublinhando as particularidades de cada uma destas vertentes na construção do seu pensamento e da sua narrativa.
No domínio do ensaio, destacou o posicionamento marxista de Uanhenga Xitu, que associou à formação em Ciências Sociais, realizada na antiga República Democrática Alemã, com referência particular à reflexão do autor sobre o lugar do mestiço na sociedade angolana.
Em relação ao relato de memórias, o sociólogo chamou a atenção para um registo sobre a actuação de Neves Bendinha, em Janeiro de 1961, no contexto dos acontecimentos que antecederam a revolta de 4 de Fevereiro do mesmo ano.
Na ficção, o conferencista distinguiu dois períodos na obra de Uanhenga Xitu, com destaque para o colonial, representado por personagens como Mestre Tamoda e Kahitu, e o pós-colonial, marcado por figuras como Toni e Kuteko, da obra “O Ministro”.
Ao abordar a modernidade, José Carlos Venâncio considerou que esta implica rupturas com o passado e com os padrões clássicos, conduzindo ao questionamento de conceitos históricos e dos contextos a partir dos quais se produzem o conhecimento e a criação artística.




