A reabertura do histórico Cine-Teatro Nacional, hoje, em Luanda, merece ser saudada “sem reservas”, mas a recuperação de edifícios não chega para devolver o cinema aos angolanos. A posição é do veterano realizador de cinema, Óscar Gil, que alerta para o risco de se construírem “excelentes espaços sem conteúdo para os preencher”.
Em uma nota a que o Jornal de Angola teve acesso, o realizador reconhece o mérito do Ministério da Cultura, que tem resgatado equipamentos culturais abandonados, degradados ou convertidos para fins alheios à sua vocação, como salões de festas e igrejas. Lembrou a memória do Cine-Teatro Nacional, que atravessou o período colonial e a Independência e acolheu iniciativas ligadas à literatura, às artes e ao pensamento.
O processo, sublinhou, não é um caso isolado. O antigo Cine Alfa, depois de anos de inactividade, ganha vida com perspectivas ligadas ao museu do cine. O antigo Cine Restauração, que durante muitos anos acolheu a Assembleia Nacional de Angola, regressa à esfera cultural como casa do artista. Noutros pontos do país, outras salas começam lentamente a regressar à vida.




