A saída dos palhaços do cemitério municipal de Lumbala Nguimbo, às 5h00 de segunda-feira, marcou a abertura oficial da 19.ª edição do Festival Tradicional Mbunda, uma celebração dedicada à preservação da identidade cultural, dos hábitos, usos e costumes do povo Mbunda, do Moxico.
O ritual, que conduziu os palhaços do cemitério até ao local sagrado onde decorrem os festejos, é considerado pela tradição Mbunda uma forma de homenagear e recordar os antepassados ligados à História do povo, cuja origem do reinado remonta ao Sudão do Sul.
A cerimónia foi antecedida, na noite de domingo, por danças e cânticos tradicionais, iniciados às 18h00, sob orientação do Rei Mwene Mbandu V. Os festejos prosseguem até 3 de Outubro, com manifestações de dança, música, ensinamentos sobre a cultura Mbunda e apresentação de pratos da gastronomia tradicional.
Em declarações ao Jornal de Angola, o Rei Mwene Mbandu V destacou a importância do festival na preservação do Património Cultural e na transmissão do legado deixado pelo Rei Mbandu IV, falecido em 2022.
O soberano apontou igualmente a união entre os povos como uma das principais mensagens do seu reinado, defendendo o fortalecimento dos laços entre as diferentes comunidades e grupos étnicos.
“Durante o meu reinado, a mensagem é de união entre os povos, não apenas de Lumbala Nguimbo, mas também dos que residem em diferentes grupos étnicos”, afirmou.
Segundo o rei, o fortalecimento da convivência entre os diferentes grupos étnicos pode contribuir para o desenvolvimento do país, da província do Moxico e, particularmente, do município de Lumbala Nguimbo.
Batuque em homenagem aos ancestrais
Uns dos momentos tradicionais previstos no programa é o toque do batuque, a partir das 12h00. De acordo com o Rei Mwene Mbandu V, o instrumento era utilizado pelos antigos reis para comunicar à população a realização de acontecimentos de grande importância.
“Quando o mensageiro estiver a tocar o batuque, todos devem deixar de fazer qualquer actividade para homenagear os ancestrais. O batuque, neste evento, significa homenagear a cultura e os antepassados”, explicou.
A transmissão dos valores culturais às novas gerações constitui uma das preocupações manifestadas pelo Rei Mwene Mbandu V, que considera existir actualmente um afastamento de alguns jovens em relação aos costumes tradicionais Mbunda.
O soberano defendeu, por isso, a necessidade de reforçar o trabalho conjunto com o Governo para a preservação da identidade cultural da comunidade.
“Estamos a trabalhar para preservar os nossos valores e manter o maior número possível da nossa comunidade, sobretudo as meninas, para que respeitem a cultura”, afirmou.
O povo Mbunda está presente em vários países da região, com destaque para Angola, Zâmbia, Namíbia, República Democrática do Congo e África do Sul, além de comunidades na diáspora, incluindo nos Estados Unidos da América.
A 19.ª edição do festival reúne autoridades tradicionais, representantes das comunidades Mbunda da Zâmbia e da Namíbia e membros do Governo angolano.
Joaquim Suami | Lumbala Nguimbo




