Os poemas de Agostinho Neto continuam a erguer-se como uma referência incontornável de consciencialização, liberdade e afirmação da identidade nacional.
Esta foi a tese defendida, na última quarta-feira, pelos poetas Tatório Kahôlo, Antónia Raul e Hornela Kanda e o trovador Mário Segunda, durante a segunda edição do recital “Declamar e Cantar Neto”, acolhido pela União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda.
O evento, realizado na emblemática “Casa Mãe das Letras”, fundiu poesia, música e declamação numa justa homenagem ao legado literário do Primeiro Presidente da República de Angola.
Em declarações ao Jornal de Angola, Hornela Kanda classificou o autor como uma figura basilar para a compreensão da angolanidade e da resistência cultural, sublinhando o carácter intemporal da sua obra.
“Os versos de Agostinho Neto abordam, de forma directa, o sofrimento e o quotidiano dos angolanos, transformando vivências individuais e colectivas em matéria poética”, apontou a escritora, acrescentando que os seus livros representam um espelho essencial da história e da realidade social do país.
Para Kanda, o recital é também uma via para aproximar as novas gerações desta produção literária.
Alinhada a este pensamento, Antónia Raul destacou a forte influência estética e cívica que Neto exerce sobre os autores contemporâneos. A poetisa enfatizou que o Fundador da Nação ocupa um lugar de destaque na história literária angolana, não apenas pelo seu contributo na construção da poesia nacional, mas também pelo valor académico dos seus textos, que hoje servem como objecto de estudo.
O lado musical da noite ficou a cargo do trovador Mário Segunda, que considerou gratificante partilhar o palco numa iniciativa desta envergadura, onde a música e a palavra se fundiram em perfeita harmonia. Dedilhando melodias que evocavam a essência da angolanidade, o músico reconheceu, contudo, o peso da responsabilidade que representa interpretar e dar voz aos textos de uma das figuras mais marcantes da História de Angola.
Para o artista, transformar a poesia de Neto em canção exige não apenas sensibilidade técnica, mas também um profundo respeito pelo compromisso social e histórico que o “Poeta Maior” sempre carregou nas suas linhas.




