A historiadora Rosa Cruz e Silva defendeu, no município de Catete, província do Icolo e Bengo, maior atenção à História do território do Corredor do Kwanza no período anterior à presença portuguesa, como parte do processo de candidatura da região a Património Mundial da UNESCO.
A preservação do património histórico e cultural e o fomento do Turismo Cultural e Religioso estiveram entre os principais temas da Conferência Internacional sobre o Corredor do Kwanza realizada recentemente em Catete.
Promovido pela Associação Chiandanda, em colaboração com o Ministério da Cultura e o Governo Provincial do Icolo e Bengo, o encontro procurou incentivar o debate sobre as dimensões histórica, cultural, económica e turística do corredor, com particular atenção às comunidades ribeirinhas.
Em declarações à imprensa, durante o encontro, Rosa Cruz e Silva defendeu a necessidade de aprofundar os estudos sobre a organização das comunidades que habitavam a região antes da chegada dos portugueses.
A historiadora destacou, entre outros elementos, a navegação fluvial e de cabotagem, as embarcações tradicionais, os conhecimentos técnicos dos pilotos de barra, as antigas feiras, as práticas comerciais e as instituições económicas desenvolvidas pelas comunidades locais.
Rosa Cruz e Silva apontou o Rio Kwanza como um importante espaço de comunicação entre diferentes povos e regiões, defendendo a valorização da componente linguística na compreensão da História do território.
A investigadora sustentou a posição nos estudos que tem desenvolvido sobre o antigo Reino do Ndongo, considerando fundamental aprofundar o conhecimento sobre as instituições africanas existentes antes da chegada dos portugueses.
A historiadora chamou igualmente a atenção para a necessidade de desenvolver estudos sobre a Ilha de Ngoleme, as antigas feiras do Dondo e outros lugares associados à navegação, ao comércio e à circulação de pessoas e bens.
Candidatura à UNESCO
O Executivo angolano trabalha no processo de valorização do Corredor do Kwanza, tendo em vista a sua inscrição na lista do Património Mundial da UNESCO, na sequência da experiência da candidatura de Mbanza Kongo.
O corredor reúne locais de reconhecido valor histórico, cultural e arqueológico, associados a diferentes períodos da História de Angola, desde as sociedades pré-coloniais até à presença portuguesa. Entre os pontos de interesse estão a Barra do Kwanza, Muxima, Massangano e Dondo.
Neste âmbito, têm sido promovidas conferências e debates com especialistas nacionais e estrangeiros, com o objectivo de aprofundar o conhecimento sobre o território, identificar as suas potencialidades e contribuir para a preparação do processo técnico de candidatura.
A realização do encontro em Catete insere-se nesse esforço de reflexão sobre o património material e imaterial associado ao Rio Kwanza, bem como sobre o seu potencial para o desenvolvimento do Turismo Cultural e a dinamização das economias locais.
O corredor foi oficialmente classificado como Património Histórico-Cultural Nacional em Abril de 2023. A valorização do território integra actualmente as estratégias de diplomacia cultural e de promoção do património angolano, tendo em vista a sua eventual inscrição na lista do Património Mundial da UNESCO.
Além da dimensão histórica e cultural, o Corredor do Kwanza é apontado como um espaço com potencial para o desenvolvimento do Turismo, a valorização das comunidades locais e a diversificação das actividades económicas.




