A União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) vai reforçar a aposta na formação, descentralização e internacionalização das artes visuais e plásticas, com a nova direcção a pretender estreitar a ligação com academias e institutos de formação artística para transformar o talento dos jovens em competências profissionais.
A orientação foi apresentada, quinta-feira, em Luanda, pelo presidente reeleito da organização, Rosário Matias, durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais.
Reeleito com 97 votos a favor, um contra e uma abstenção, Rosário Matias afirmou que a direcção pretende dar continuidade aos objectivos definidos no mandato anterior, com particular atenção à formação e ao fortalecimento dos núcleos da UNAP nas diferentes províncias.
Para o responsável, a organização, enquanto instituição de utilidade pública de carácter sociocultural e abrangência nacional, não deve permanecer concentrada nos grandes centros urbanos. A intenção é estreitar a comunicação com as províncias e identificar artistas emergentes, sobretudo nas zonas onde existe produção artística, mas menor acesso a oportunidades de formação e divulgação.
“É com estes artistas emergentes, mas também orientados por nomes sonantes das nossas artes visuais e plásticas, através da formação, que vamos alargar não só o número de associados, mas também o número de artistas”, afirmou.
A internacionalização constitui igualmente uma das prioridades do novo mandato. Segundo Rosário Matias, a UNAP pretende modernizar a instituição, estabelecer novas relações com o exterior e criar uma rede de representantes e correspondentes em vários continentes, com destaque para a Europa e a América.
A estratégia pretende abrir novas possibilidades de circulação para os artistas angolanos e contribuir para uma maior projecção internacional das artes visuais e plásticas produzidas no país.
Ao lado da formação e da internacionalização, a nova direcção pretende manter a atenção sobre as condições dos artistas e professores que contribuíram para a construção da UNAP. Rosário Matias defendeu que estes profissionais devem ser reconhecidos e devidamente enquadrados do ponto de vista legal e material.
A cerimónia de posse foi marcada por um minuto de silêncio em homenagem aos membros da organização já falecidos, antes da condução dos trabalhos pelo presidente da Mesa da Assembleia da UNAP, Albino da Conceição.
Ao assumir o cargo, Albino da Conceição defendeu uma organização mais aberta ao diálogo e à pluralidade. Para o responsável, a UNAP deve funcionar como um espaço de escuta e equilíbrio entre diferentes sensibilidades da classe artística.
Juventude e descentralização
A aposta na nova geração foi igualmente destacada pela secretária da Mesa da Assembleia, Anaximandra Bernardo, “Anaxinox”, que pretende aproximar formação académica, juventude e experiência dos artistas mais velhos.
A responsável considera que os artistas de gerações anteriores têm um papel importante na transmissão do conhecimento e do legado artístico às novas gerações.
O secretário para Actividades Culturais e Intercâmbio, Hermenegildo António Sebastião, “Kindala”, apontou a descentralização como uma das prioridades. Durante o mandato anterior, a UNAP realizou iniciativas fora de Luanda, incluindo um acampamento artístico que reuniu 28 artistas de 15 províncias durante dez dias. A nova direcção pretende dar continuidade a esse trabalho e reforçar as acções de aproximação entre os criadores.
A resolução de conflitos internos entre os artistas também integram os objectivos apresentados pela nova direcção.
Para o director nacional da Cultura, Pedro Chissanga, a tomada de posse enquadra-se na necessidade de estruturar as diferentes disciplinas do sector, de modo a contribuir para melhores resultados e para a definição de Políticas Públicas mais adequadas.




