O músico Vladimiro Gonga apresentou, na sexta-feira, na Fundação Arte e Cultura, em Luanda, ritmos e intimidades ao longo do espectáculo temático “À Meia-Lua”, num “casamento perfeito” entre a poesia e a música.
À viagem acústica entre voz e violão juntou-se o poeta Lopito Feijóo, que recitou “Pátria Querida” e “Tinta”.
O anfitrião da noite fez uma fusão criativa, combinando ritmos tradicionais como o semba e a massemba, estabelecendo uma ponte entre o clássico e o tradicional da sonoridade angolana.
O momento do espectáculo intimista serviu também para partilha de experiências em palco com Konde Martins, proporcionando um concerto memorável aos fãs, ao interpretarem clássicos do cancioneiro popular como temas de David Zé, Teta Lando, bem como temas autorais.
Gonga deslumbrou os fãs com um espectáculo cheio de cor e luz que realçou as suas canções mais conhecidas, e, além de Konde Martins, o artista dividiu o palco com 11 crianças da disciplina de Cântico da Fundação Arte e Cultura, e apresentou temas originais durante uma hora de prestação em palco.
O repertório apresentado esteve assente em temas originais que realça a trajectória artística e o seu rico acervo musical e outros êxitos mais memoráveis.
Em declarações ao Jornal de Angola, Vladimiro Gonga explicou que a intenção foi apresentar um concerto mais intimista, no sentido dos espectadores perceberem a palavra da música.
“As palavras que contêm a música podem moldar o homem na sociedade, porque vivemos pela música e a mesma é importante para a formação do homem e das sociedades. O conceito do espectáculo ao “Á Meia-Lua”, referiu, representa a intimidade e proximidade entre o artista e o público”.
Vladimiro Gonga disse que a poesia carrega consigo musicalidade, mas, é necessário saber decifrar e compor e melodia o instrumentaliza, e este cruzamento entre a poesia e a música surge de forma natural.
Por seu torno, o poeta Lopito Feijóo defendeu maior intercâmbio entre a música e a poesia, porque a música dá vida à poesia, e um da outra se complementam enquanto modalidade artística.
“Estas parcerias devem acontecer com maior frequência entre os artistas angolanos, porque trabalhar em colaboração tem um ganho maior, portanto, é necessário irmos à procura de outros resultados em palco”.
Para o músico Konde Martins o cruzamento da música e da poesia é importante, porém, deve existir relação de proximidade entre os trovadores e poetas, por ser uma simbiose artística e “poderosa da história da humanidade”.
Konde Martins considerou ser necessário criar espaço e incentivos de maneira que os poetas e músicos trabalhem juntos em projectos criados desde a sua génese, de modo a ensinar simultaneamente a métrica poética e a rítmica musical.
Armindo Canda




