O treinador Jorge Jesus terá sido contratado pela Federação Portuguesa de Futebol com o objectivo de gerir o fim da carreira internacional de Cristiano Ronaldo, realizando o chamado “trabalho sujo” que a direcção pretendia evitar. A análise é do comentador desportivo Samir Carvalho, da plataforma brasileira UOL, na sequência de recentes desentendimentos públicos entre o capitão da selecção lusa e o experiente técnico português.
O desentendimento entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus ganhou novos contornos após o avançado detalhar publicamente as suas divergências com o treinador. Ronaldo acusou o técnico de mentir por duas ocasiões e revelou que, apesar de ter realizado o aquecimento desde o intervalo, não foi chamado a entrar na partida frente à Noruega, a contar para a Liga das Nações. Este episódio expôs as fragilidades na relação entre as duas figuras mais influentes do futebol português na actualidade.
A estratégia das direcções desportivas
Segundo o analista Samir Carvalho, esta dinâmica é bastante comum nos bastidores do futebol mundial. As direcções das federações ou clubes evitam o confronto directo com atletas de grande impacto mediático e preferem transferir a responsabilidade do desgaste para a equipa técnica. O comentador sublinhou que a contratação de Jorge Jesus visa precisamente assumir decisões impopulares que a cúpula directiva não tem coragem de tomar directamente face ao enorme estatuto histórico de Cristiano Ronaldo.
Comparação com o passado e o perfil do treinador
Carvalho comparou ainda a postura de Jorge Jesus à de Vanderlei Luxemburgo na década de 1990, caracterizada pelo desejo de se sobrepor aos principais jogadores do plantel. O analista destacou que o forte temperamento e a vaidade de Jesus, equivalentes aos de Cristiano Ronaldo, tornam este choque de egos inevitável, mas conferem ao técnico a autoridade necessária para lidar com o avançado, algo que outros seleccionadores dificilmente conseguiriam impor no balneário.




