Luanda - Cristiano Ronaldo anunciou esta quinta-feira o ponto final na carreira ao serviço da selecção Nacional, numa decisão destacada em manchete por muitos dos principais jornais desportivos europeus.
"Fim de uma era", escreveu o italiano Gazzetta dello Sport. Em França, o L'Équipe salientou o "fim da história" entre a Seleção e Cristiano Ronaldo, enquanto o Mundo Deportivo, de Espanha, usou o termo "bomba" para se referir à novidade, conforme pode ver nas imagens acima.
FPF quer prestar "devido tributo"
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) emitiu um comunicado no qual agradece o contributo de Cristiano Ronaldo, que na manhã desta quinta-feira anunciou a retirada da Selecção Nacional, realçando ser necessário prestar o "devido tributo".
"A Federação Portuguesa de Futebol expressa o seu mais profundo e eterno agradecimento ao eterno capitão, Cristiano Ronaldo, que anunciou hoje a sua despedida definitiva da Seleção Nacional", refere o comunicado.
"É com um sentimento de profunda gratidão e imensa admiração que a Federação Portuguesa de Futebol, vem publicamente, enaltecer e agradecer o percurso absolutamente extraordinário de Cristiano Ronaldo ao serviço do nosso país. Mais do que um atleta de eleição, o nosso capitão foi um líder inspirador, um exemplo de dedicação e o símbolo máximo da alma da nossa Selecção", pode ler-se.
"Ao longo de uma carreira internacional lendária, pautada por 234 internacionalizações e 146 golos marcados, o capitão carregou o País aos ombros, quebrou recordes e liderou a equipa na conquista de momentos que ficarão para sempre gravados na história do futebol nacional", realça.
Acrescenta que "cada gota de suor, cada golo decisivo e cada braçadeira honrada em campo foram o reflexo do seu amor incondicional pela nossa camisola. A sua entrega e o seu legado transcendem as quatro linhas. Cristiano Ronaldo elevou o nome de Portugal e inspirou gerações de jovens que sonham seguir as suas pisadas, sendo para muitos de nós, o melhor jogador de todos os tempos!".
O que disse Cristiano Ronaldo na hora do adeus
"Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisola 7 da Seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para estádios num mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça. Tomam-se também com o coração", sublinhou.
Indica que "termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na Seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo emigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. Porque, no fim de tudo, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas".
"Durante toda a minha carreira na Selecção, procurei superar os meus limites. Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por esta camisola. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal", frisou.
"Aos meus companheiros desta Selecção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão. Mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história", sublinha.
"Aos treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nestas fotografias. Mas sem vocês, nenhuma dessas fotografias teria sido possível", escreveu o internacional português.




