O jurista Salvador Freire exige esclarecimentos detalhados sobre o caso do paciente que teve o braço amputado no Hospital Josina Machel Maria Pia, em Luanda, defendendo que a unidade sanitária deve explicar à sociedade as circunstâncias que levaram ao procedimento.
A posição foi apresentada esta sexta-feira, durante um debate na Rádio Correio da Kianda, onde o jurista considerou insuficientes os esclarecimentos públicos sobre o caso e defendeu que a informação prestada pelo hospital deve permitir compreender, de forma clara, o que aconteceu ao paciente.
“O cidadão fica com a sensação de que o paciente foi ao hospital com problema na perna e cortaram-lhe o braço”, afirmou Salvador Freire, alertando que a ausência de informação consistente pode aumentar a desconfiança dos cidadãos em relação às instituições de saúde.
Para o jurista, os hospitais devem comunicar casos desta natureza com maior detalhe, evitando que a utilização exclusiva de terminologia técnica dificulte a compreensão dos utentes e das suas famílias.
“É preciso que os hospitais, quando acontecem casos como este, informem com detalhe, não apenas utilizando termos técnicos que complicam mais a vida dos utentes”, defendeu.
Salvador Freire considera ainda que, mais do que a divulgação de informações técnicas, deve existir solidariedade institucional para com o paciente e a família, sobretudo perante as consequências de uma situação que alterou significativamente a vida do utente.
O jurista defendeu igualmente que o Ministério da Saúde deve concluir o inquérito instaurado para apurar as circunstâncias do caso e, caso sejam confirmadas irregularidades, sejam responsabilizados os profissionais envolvidos.
Salvador Freire pediu também que seja assegurado o apoio necessário ao paciente, que actualmente enfrenta as consequências da amputação.
Durante o mesmo debate, o especialista em Saúde Pública Jeremias Agostinho considerou que poderá ter ocorrido imperícia ou falhas no acompanhamento do paciente. O médico explicou que os erros na prestação de cuidados de saúde podem estar relacionados com imperícia, imprudência ou negligência.
Na sua análise, Jeremias Agostinho afastou, nesta fase, as hipóteses de negligência e imprudência, considerando que “provavelmente terá havido imperícia”. O especialista defendeu ainda que a presença e supervisão efectiva dos profissionais envolvidos poderia ter evitado o agravamento da situação.
A assistente social Francelina Tomás, por sua vez, criticou o que considera ser falta de atenção por parte de alguns profissionais de saúde, relatando também uma experiência familiar relacionada com a morte do irmão no Hospital do Lubango.
O Hospital Josina Machel Maria Pia já instaurou um inquérito interno para apurar as circunstâncias do caso e afastou preventivamente a profissional envolvida.
As conclusões do inquérito deverão esclarecer o que esteve na origem da amputação e determinar se ocorreram falhas técnicas, de procedimento ou de supervisão durante a assistência prestada ao paciente.




