La Fúria bisa título com banho de bola

Na final sem brilho, a Espanha entrou, ontem, na quadra do MetLife Stadium, em Nova Jersey, Estados Unidos da América, com a ambição de ser campeã mundial. Desde o apito inicial exibiu maturidade e competência para erguer o troféu perante uma Argentina que voltou a ser mais do mesmo. O golo solitário de Ferran Torres, aos 106 minutos, no prolongamento, repôs a justiça na hora certa para dissipar dúvidas, pois todos esperavam por um vencedor incontestável.
A Argentina não teve receio de tentar levar a todo o custo a decisão para a lotaria das penalidades. A final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 foi como uma mulher em que todos esperavam por uma bela figura e semblante. A Espanha jogou todo o tempo regulamentar mais o prolongamento de acordo com o significado do seu cognome: Fúria. Nunca perdeu o controlo do jogo, manteve-se leal à identidade futebolística. Mais do que a posse, nunca permitiu nenhum passo de Tango no relvado. O adversário foi incapaz de aparecer para defender o título conquistado há quatro anos. A final nem parecia a de um Mundial por culpa exclusiva da Argentina. Não tinha nem carne nem peixe. Nunca teve argumentos competitivos, repetiu o mesmo expediente dos jogos a eliminar. A alviceleste teve o azar de encontrar uma Espanha irrepreensível e inabalável de cabo a rabo; meteu a mão no arado e nunca olhou para trás. Evitou todas as costumeiras distracções do submisso oponente. O pé na nuca funcionou em pleno. A Argentina nunca ergueu a cabeça para reagir. Mal o árbitro esloveno Slavko Vinčić apitou para o início das hostilidades, a Fúria deu um passo em frente para pegar o comando do jogo. Qual consentido qual quê! A Albiceleste calou e consentiu; teve mesmo medo de mostrar os fracos argumentos. Era impossível esperar a transformação da lagarta em borboleta. A metamorfose, de modo algum, poderia acontecer na final. Os espanhóis acusaram o peso da responsabilidade no começo e aceitaram bater bolas por causa da pressão dos argentinos. Num abrir e fechar de olhos, tiveram a coragem de recuperar o ADN do futebol vencedor. Quando a bola passou a circular de pé para pé, ficou evidente quem estava com a vontade de subir ao sétimo céu do Mundial'2026. O desinspirado Lamin Yamal tremeu na madrugada da final, pois teria feito mais e melhor. O remate saiu sem perigo. Foi o começo da virada no relvado, ou seja, depois deste lance, a Espanha ficou sozinha em campo! A Argentina deixou de ler nas entrelinhas que estava à espera de uma segunda bola. Fica fácil perceber por que o intervalo chegou e só um único guarda-redes desempenhou o papel. O outro parecia um privilegiado a ver a final de pé no relvado. Antes da justa expulsão de Enzo no minuto 90, a superioridade da Fúria era incontestável em todas as estatísticas do jogo. Com certeza, só haveria escândalo, se o golo, mesmo caído do céu, entrasse na baliza errada. Assim como na etapa inicial, o perigo acumulou na área da Argentina. Dibu Martínez sujou o equipamento para levar o jogo ao prolongamento, como sucedeu no livre de Lamine Yamal ou quando deixou o egoísta Nico Williams sem a capa de herói. Sem pernas para permanecer de pé no prolongamento, a Argentina rejeitou ser como o camaleão. Nunca se deixou pintar pela atitude competitiva da Espanha, mas preferiu correr atrás da bola e ignorou a escrita na parede. Quando o golpe fatal parecia iminente, o guarda-redes Dibu Martínez voltou a ser salvador como em 2022: grande defesa ao cabeceamento de Nico Williams no início do prolongamento. A Fúria jogava como se estivesse em contagem decrescente para o golo. Avisou como amigo, mas a Alviceleste ignorou todos os sinais evidentes. Talvez, tenha pensado em reviver o mesmo final feliz de todo o percurso na fase a eliminar. O VAR ainda impediu Nico Williams de festejar o 1-0. O irreverente jovem provou minutos depois que conhecia a veracidade de tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia quebra. A maneira sábia como usou a cabeça para assistir Ferran Torres só podia resultar no golo da consagração. Um indefensável remate de pé esquerdo. O tiro da Argentina saiu pela culatra! Ou simulou comportamento ou foi presunçosa demais. Só depois de ver a iminente derrota mostrou predicados ofensivos. Pela primeira vez, Messi apareceu na final, aos 114 minutos do prolongamento. Era tarde demais para fazer mossa à indomável vontade da Espanha de voltar a ser campeã, tal e qual como sucedeu na primeira vez em 2010, com um golo solitário no prolongamento. A única diferença é que, ontem, foi dona e senhora da final!



