Benguela – O presidente do Comité Olímpico Angolano (COA), Pedro Godinho, defendeu, esta terça-feira, em Benguela, a formação contínua dos dirigentes desportivos, para melhorar a gestão das instituições e organizações do sector.
Benguela – O presidente do Comité Olímpico Angolano (COA), Pedro Godinho, defendeu, esta terça-feira, em Benguela, a formação contínua dos dirigentes desportivos, para melhorar a gestão das instituições e organizações do sector.
Em declarações à ANGOP, à margem de uma acção de formação dirigida a dirigentes desportivos, que decorre de 25 a 30 deste mês, explicou que a iniciativa enquadra-se nos programas da Solidariedade Olímpica.
Segundo o responsável, os programas visam capacitar formadores para a partilha de conhecimentos com diferentes agentes do movimento desportivo.
“Temos a missão de partilhar conhecimentos, por isso somos animadores de vários temas, onde interagimos com diferentes dirigentes desportivos, colocando à sua disposição ferramentas que permitam uma melhor gestão do desporto”, afirmou.
Pedro Godinho informou que a formação aborda temas como comunicação, relacionamento com a imprensa, organização de eventos e viagens desportivas, sistemas de competição, liderança, ética, “fair play” e mecanismos de captação de recursos financeiros.
A acção, realizada em parceria com a Associação Provincial de Andebol de Benguela, contempla 15 temas e reúne mais de 35 participantes, entre dirigentes desportivos e candidatos a funções de liderança em associações e clubes.
O também formador do COA considerou que o exercício do dirigismo desportivo exige mais do que vontade, defendendo que os responsáveis devem ter propósito, identificação com a causa e capacidade para reconhecer as próprias limitações e procurar apoio especializado.
“Não basta desejar ser dirigente desportivo. Temos que ter um propósito, estar identificados com a causa, partir da base do voluntarismo e ter a hombridade de reconhecer as nossas competências e os limites das nossas competências”, salientou.
Defendeu, por outro lado, que uma gestão desportiva eficaz deve contar com profissionais de diferentes áreas, nomeadamente juristas, contabilistas e técnicos superiores de desporto.
Como exemplo, citou a sua experiência enquanto presidente da Federação Angolana de Andebol, período em que, apesar de reconhecer algumas limitações académicas, estruturou uma equipa de apoio com profissionais de diferentes áreas.
“Um bom jurista pode ajudar nas questões do fórum disciplinar e do conselho jurisdicional, um bom contabilista nas questões financeiras e um técnico superior de desporto nas matérias técnicas da instituição”, explicou.
O presidente do COA destacou igualmente a importância da ética, do “fair play” e da prevenção do assédio no desporto, considerando que estas matérias devem integrar a formação dos responsáveis desportivos.
Apontou ainda a comunicação e a liderança como áreas fundamentais para o associativismo desportivo, defendendo boas práticas na relação entre dirigentes, atletas, treinadores, imprensa e demais intervenientes.
Esclareceu que a iniciativa não constitui um curso de carácter académico, mas uma formação básica em administração desportiva, assente na partilha de experiências e na interacção entre formadores e participantes.
“Nós não estamos a dar nenhum curso com rigor académico. Somos animadores e permitimos a interacção entre os participantes”, disse.
Pedro Godinho felicitou a Associação Provincial de Andebol de Benguela pela iniciativa e apelou a outras federações, clubes e associações para solicitarem formações à Academia Olímpica.
Manifestou, entretanto, preocupação com a reduzida procura destas acções após os ciclos eleitorais nas organizações desportivas, período em que, segundo afirmou, surgem novos dirigentes sem experiência no sector.
“Lamento e me entristece ver que, depois dos ciclos eleitorais, muito poucas federações, clubes e associações pedem estes cursos”, referiu.
O responsável disse esperar que os participantes concluam a formação com mais conhecimentos e ferramentas para responder aos desafios da administração desportiva.
“O nosso objectivo é criar dirigentes melhores dos que de ontem, com mais conhecimentos e ferramentas para encontrar soluções”, afirmou.
No final, apelou aos dirigentes desportivos para procurarem permanentemente conhecimento e partilharem experiências, defendendo a contribuição de profissionais de diferentes áreas para o desenvolvimento do desporto.
“Não importa o quão bem somos formados nas diferentes áreas do saber. Quando falamos de desporto, devemos sentar-nos todos à volta de uma mesa e contar com aqueles que têm mais anos de experiência e receberam formação da Solidariedade Olímpica”, concluiu. JM/CRB




