O instrutor da FIFA, Idoluviz Dias, mostra-se expectante em relação ao arranque da 39.ª edição do Campeonato Nacional da I Divisão e acredita que a competição tem características diferentes das edições anteriores.
“Teremos um Girabola diferente, sobretudo por causa do novo modelo de gestão, uma vez que a principal competição do país passa a ser administrada por uma entidade distinta da FAF”, afirmou.
Em entrevista ao Jornal de Angola, o antigo árbitro reconheceu os desafios do Conselho Central de Arbitragem, órgão responsável pela nomeação dos juízes da competição.
“Existe um protocolo assinado entre a FAF e a ANCAF. Nesse acordo, ficou estabelecido que a nomeação dos árbitros continuará sob a responsabilidade do Conselho Central de Arbitragem. Não há qualquer novidade nesse aspecto, porque a FAF sempre assegurou esse processo no Girabola”, explicou.
Idoluviz Dias considera que o actual campeonato apresenta um nível competitivo superior ao de muitos países da região e recorda que Angola continua representada por quatro equipas nas competições africanas.
Para o instrutor da FIFA, a entrada da ANCAF na gestão do Girabola representa um incentivo adicional para o futebol nacional, capaz de atrair mais adeptos e jogadores para a principal competição do país.
“As 16 equipas entram na prova com o objectivo de conquistar o título. Algumas dispõem de maiores recursos financeiros e conseguem destacar-se ao longo da competição. Ninguém participa num campeonato para perder. Por isso, acredito que todas as equipas sonham com o troféu, embora algumas assumam naturalmente o estatuto de favoritas”, perspectivou.
Petro e Wiliete são os favoritos”
O gestor desportivo Joaquim José, ligado ao sector do asseguramento de eventos desportivos e culturais, considera que os principais candidatos ao título são os clubes que melhor se reforçaram durante a pré-temporada.
“O Petro e o Wiliete são os favoritos. As restantes equipas, com destaque para o Interclube e o Sagrada Esperança da Lunda-Norte, continuam abaixo das expectativas, por ainda não demonstrarem capacidade para justificar as posições que ambicionam alcançar”, afirmou.
Para sustentar a sua opinião, o gestor entende que os clubes tradicionalmente mais fortes continuam a beneficiar de uma vantagem significativa em relação às equipas de menor dimensão.
“No que diz respeito à organização, ainda estamos muito aquém do desejável. Esperamos que esta época não fique marcada por problemas relacionados com a calendarização, a remarcação de jogos ou o asseguramento das partidas. Ainda assim, acredito que teremos um bom campeonato”.
Joaquim José defende que o sucesso do novo formato da competição doméstica depende, em grande medida, da capacidade dos próprios clubes.
“Precisamos de jogadores mais qualificados e de instituições mais sólidas”.
O interlocutor considera, igualmente, que o Girabola ainda não reúne todos os requisitos exigidos para uma competição de elevado nível, apontando a formação e o investimento como alguns dos principais desafios.



