As agências de viagens angolanas exigem esclarecimentos da TAAG sobre a decisão de retirar os intermediários da comercialização de bilhetes na rota Luanda–Cabinda–Luanda. A medida, em vigor desde 15 de Setembro, determina que as passagens sejam vendidas exclusivamente através dos canais oficiais da companhia aérea.
A posição foi manifestada esta quinta-feira, 1, pelas associações representativas do sector, que dizem estar a enfrentar dificuldades operacionais e financeiras desde a entrada em vigor da medida. As organizações defendem que eventuais infractores devem ser identificados e responsabilizados individualmente, em vez de a decisão abranger todas as agências.
A presidente da Associação das Agências de Viagens de Angola, Renata Opa, afirmou que a classe já tinha apresentado à TAAG propostas para combater a alegada especulação, entre elas a identificação e responsabilização dos agentes envolvidos e a criação de uma comissão técnica conjunta.
As associações dizem compreender a necessidade de combater a especulação e outras irregularidades na venda de bilhetes, mas consideram que a medida generalizada prejudica empresas que, segundo afirmam, cumprem as suas obrigações e trabalham regularmente com a companhia aérea.
Outro ponto levantado pelas agências está relacionado com bilhetes já emitidos que necessitam de alterações ou revalidações. Segundo Renata Opa, a actual configuração tem dificultado a resposta aos passageiros que recorrem às agências para tratar desses processos.
A TAAG justificou a exclusividade dos seus canais com a necessidade de reforçar o controlo e a transparência na comercialização, combater práticas de intermediação e especulação e garantir o acesso dos passageiros às tarifas oficiais. A companhia mantém a tarifa subsidiada de 29.717 kwanzas para a viagem de ida e volta em classe económica.
As agências defendem, entretanto, que o combate às irregularidades deve ser acompanhado de mecanismos que permitam identificar quem efectivamente pratica as infracções, sem penalizar todo o sector.
Para as associações, a ligação aérea com Cabinda tem particular importância para a mobilidade de estudantes, doentes, famílias e trabalhadores, pelo que defendem uma solução que assegure o acesso aos bilhetes e, simultaneamente, maior transparência na comercialização.




