O Governo considerou, esta Quarta-feira, “inaceitável” que a transformação digital crie exclusão no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde milhões de cidadãos continuam sem acesso regular à internet, defendendo investimentos em infra-estruturas para reduzir desigualdades.
"Não podemos aceitar que a transformação digital crie formas de exclusão. A internet deve constituir uma oportunidade para todos. Ninguém deve ficar para trás, independentemente da sua localização geográfica, a sua condição económica (...) ou eventuais limitações físicas", afirmou esta Quarta-feira o secretário de Estado da Comunicação Social, Nuno Caldas.
Em declarações na abertura oficial do 5.º Fórum Lusófono da Governação da Internet (FLGI), que se iniciou esta Quarta-feira em Luanda, disse que apesar dos avanços tecnológicos registados [a nível da CPLP] "ainda persistem desafios assinaláveis".
Assinalou que milhões de cidadãos continuam sem acesso regular e de qualidade à internet, acrescentando que em muitas comunidades, particularmente em zonas rurais, os custos dos equipamentos de serviços de telecomunicações ainda limitam a plena participação da sociedade digital.
"Reduzir esta desigualdade exige, naturalmente, investimentos consistentes, quer nas infra-estruturas, quer na expansão da banda larga, na electrificação, na literacia digital e, sobretudo, na formação de competências", referiu.
Nuno Caldas defendeu também atenção especial às crianças, jovens e mulheres no espaço lusófono "garantindo-lhes condições de acesso, formação e segurança" no ambiente digital.
Considerou que os jovens representam a maior força criativa dos países da CPLP e estes devem ser preparados não apenas para consumir tecnologia, mas também para desenvolver soluções, criar empresas e participar activamente na economia digital.
Por outro lado, o governante afirmou que o desenvolvimento da internet coloca vários desafios, nomeadamente da inclusão digital, da cibersegurança (...), inteligência artificial, literacia digital, acesso de conteúdos em língua portuguesa e a garantia de diretos fundamentais no ambiente digital.
Por isso, observou, para os países da CPLP existe ainda uma responsabilidade particular: "Garantir que a língua portuguesa tenha uma presença forte, diversificada e relevante na internet".
"A nossa língua deve ser não apenas uma língua de comunicação, mas também uma língua de conhecimento", frisou.
O Governo angolano, sinalizou igualmente Nuno Caldas, não está alheio às dinâmicas da digitalização, estando permanentemente em concertação com os parceiros sociais, internos e externos, para salvaguarda dos interesses em torno do uso seguro da internet.
Assegurou ainda que Angola tem desenvolvido políticas e iniciativas destinadas a promover a transformação digital, a inclusão social, a modernização da administração pública e a melhoria dos serviços prestados aos cidadãos.
A importância da quinta edição do FLGI, cujos trabalhos decorrem até Quinta-feira no Centro de Convenções de Talatona, sul de Luanda, foi também destacada pelo director-geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação em Angola, organizador do evento, André Pedro.
A secretária da mesa da assembleia-geral da Associação das Entidades Gestoras dos Domínios de Topo de Língua Portuguesa (LusNIC), Andreia Brito, disse, na sua intervenção, que o encontro vai abordar os desafios globais, mas também as especificidades dos países da CPLP, as infra-estruturas, a língua e a diversidade da lusofonia.
Conectividade, desenvolvimento de infra-estruturas digitais nos países de língua portuguesa e crianças e adolescentes na internet: desafios para regulação e oportunidades de desenvolvimento constam ainda entre os temas em reflexão neste fórum lusófono.




