Angola precisa de reduzir a dependência das receitas petrolíferas e acelerar a diversificação da economia para garantir maior estabilidade e sustentabilidade económica, defende o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A posição foi apresentada pelo representante residente do FMI em Angola, Victor Duarte Lledó, durante o terceiro dia do Angola Economic Forum, que decorre em Luanda, sob o lema “Angola, Diplomacia Económica e Integração Regional: Novas Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável”. O fórum inclui entre os seus objectivos a discussão da diversificação económica e das oportunidades de investimento no país.
Victor Lledó considera que a forte dependência do petróleo deixa a economia angolana exposta às oscilações dos preços internacionais da matéria-prima. Quando as cotações sobem, aumentam as receitas e o espaço para financiamento e despesa pública, enquanto as quedas provocam pressões sobre o orçamento, a dívida, o câmbio e o crescimento económico.
“O primeiro desafio é que Angola precisa quebrar o ciclo do petróleo.”
Segundo o representante do FMI, a diversificação deve ser acompanhada por uma melhoria na execução do planeamento financeiro e por maior transparência na utilização dos recursos públicos.
A recomendação surge num contexto em que o próprio FMI tem identificado a dependência petrolífera e a necessidade de reformas estruturais como questões centrais para a economia angolana. Victor Lledó é representante residente do Fundo no país desde Agosto de 2023 e tem especialização em política fiscal.
Durante o mesmo encontro, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Otoniel dos Santos, destacou o crescimento de 8,7% da economia angolana no segundo trimestre de 2026, depois de uma expansão de 3,1% em 2025 e de 5,3% no primeiro trimestre deste ano.
O governante atribuiu o desempenho ao crescimento de 9,2% do sector não petrolífero e à recuperação do sector petrolífero, considerando que estes resultados contribuíram para o reforço da confiança dos parceiros e dos mercados internacionais.
Otoniel dos Santos recordou ainda que Angola regressou aos mercados internacionais em Outubro de 2025 e que, em Março deste ano, realizou uma emissão de 2,5 mil milhões de dólares, que, segundo o governante, recebeu mais de 5,2 mil milhões de dólares em procura.
A diversificação económica constitui também um dos eixos do Angola Economic Forum 2026, que reúne governantes, economistas, empresários, académicos e representantes de instituições financeiras para discutir novas parcerias, investimento e desenvolvimento sustentável.




