Banguecoque (Do enviado especial) – A evolução do crescimento económico, registada nos últimos anos em Angola, constitui um dos assuntos que vai dominar a agenda da delegação angolana nas Reuniões Anuais do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), que se iniciam esta segunda-feira (12), em Banguecoque, capital do Reino da Tailândia.
Banguecoque (Do enviado especial) – A evolução do crescimento económico, registada nos últimos anos em Angola, constitui um dos assuntos que vai dominar a agenda da delegação angolana nas Reuniões Anuais do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI), que se iniciam esta segunda-feira (12), em Banguecoque, capital do Reino da Tailândia.
Essa temática surge numa altura em que o Banco Mundial elevou, recentemente, de 2,4% (perspectivas de Junho último) para 4,5% a previsão de crescimento da economia angolana em 2026, num contexto económico mundial marcado por elevadas incertezas e riscos.
Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola cresceu 4,4%, o que representou o valor mais elevado do país, desde 2014, uma evolução que foi impulsionada pelo dinamismo do sector não petrolífero. Já em 2025, este crescimento baixou para 3,1%.
Além da partilha desses dados, a presença de Angola nas Reuniões das duas instituições de Bretton Woods, serve igualmente para o aprofundamento do diálogo institucional com o BM, FMI e outros parceiros de desenvolvimento, segundo o Ministério do Planeamento.
O departamento ministerial acrescenta que a participação do país no encontro representa também uma oportunidade para acompanhar e contribuir nos debates sobre a evolução e as perspectivas da economia mundial, bem como para apresentar as prioridades dos países em desenvolvimento no domínio do financiamento e da cooperação internacional.
De igual modo, ao nível bilateral e multilateral, o certame permite estreitar a articulação com outros países africanos, apresentar as prioridades nacionais no âmbito das discussões internacionais e identificar novas oportunidades de cooperação, investimento e mobilização de recursos destinados ao financiamento das prioridades de desenvolvimento de Angola.
No evento, a delegação angolana é chefiada pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, e integra o governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, e o secretário de Estado para os Sectores da Aviação Civil, Marítimo e Portuário, Adilson Catala, além de quadros e especialistas dos ministérios do Planeamento, das Finanças, dos Transportes e da Agricultura e Florestas, bem como do BNA.
Durante o encontro, a comitiva também vai participar em reuniões estatutárias, encontros de alto nível, sessões técnicas de trabalho e debates sobre matérias estratégicas para o desenvolvimento nacional e para os países africanos.
Entre os principais temas em debate, destaca-se o financiamento ao desenvolvimento, crescimento económico sustentável, a mobilização de capital privado, o desenvolvimento de infra-estruturas e reforço da cooperação com as instituições financeiras internacionais e os parceiros de desenvolvimento, para além do capital humano.
A agenda oficial contempla, entre outros momentos, a Reunião Ministerial do Grupo G24, o Caucus Africano com as lideranças do Banco Mundial e do FMI, o Encontro dos Governadores Africanos com o presidente do BM, a Reunião do Comité de Desenvolvimento e a Sessão Plenária do evento.
As Reuniões Anuais deverão abordar ainda os principais desafios actuais que se colocam à economia mundial e as perspectivas de um crescimento mais sustentável, resiliente e inclusivo.
Nesse quadro, estarão em destaque questões como a mobilização de capital privado, criação de emprego, inovação tecnológica, inteligência artificial e o fortalecimento da resiliência económica, temas considerados determinantes para a transformação das economias e para a promoção de um desenvolvimento mais inclusivo.
O certame, que vai na sua 82ª edição e termina domingo próximo (dia 18), decorre sob o lema “Novos horizontes da Tailândia: Capacitar as pessoas, construir resiliência”.
Trata-se da segunda vez que a Tailândia acolhe as Reuniões Anuais do BM e FMI, sendo a primeira ocorrida em 1991.
Angola é membro do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional desde 1989 e, nos últimos anos, tem vindo a consolidar a sua relação com estas instituições, através de programas específicos orientados para a melhoria da gestão e consolidação das contas nacionais, o aperfeiçoamento dos mecanismos de investimento e a promoção do crescimento económico e social do país.
A par do encontro, habitualmente, realizado em Outubro de cada ano, de forma alternada (duas edições consecutivas nos EUA e uma num país membro), o BM e FMI organizam também, anualmente, as Reuniões de Primavera, que acontecem em Abril, em Washington.
Origem das Reuniões Anuais
O histórico das reuniões do Banco Mundial e do FMI é marcado pela Conferência de Bretton Woods em 1944, que criou ambos os organismos com o objectivo de estabelecer um sistema monetário internacional estável e promover o desenvolvimento económico pós-Segunda Guerra Mundial.
Após essa conferência, o FMI focou-se na estabilidade do sistema monetário, enfrentando crises como a de 1971 (quando os EUA desvalorizaram o dólar) e a crise da dívida a partir de 1982, quando implementou planos de ajuste estrutural.
O Banco Mundial, por sua vez, concentrou-se em financiamento para o desenvolvimento económico e a redução da pobreza. HM/QCB




