O país necessita de 14 mil milhões de dólares por ano para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2063 da União Africana.
Os dados constam de um comunicado conjunto do Ministério do Planeamento e do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que, esta segunda-feira, lançam, em Luanda, o Relatório do Foco do País – Angola 2026, subordinado ao tema “Mobilizar o Financiamento de Desenvolvimento de Angola em Escala num Mundo Fragmentado”, com soluções para mobilização de recursos para o alcance dos ODS e Agenda 2063.
Angola, segundo a fonte enfrenta um défice anual de financiamento estimado pelo BAD em cerca de 8,6 mil milhões de dólares que exige maior mobilização de recursos internos e capital privado.
A publicação destaca os avanços substanciais na estabilidade macroeconómica do país e define prioridades estratégicas para a mobilização de recursos financeiros necessários para acelerar a diversificação da economia angolana.
No domínio das reformas e investimento, o comunicado destaca que a urgência de se continuar com a actual reforma no sistema de Contratação Pública para promoção de maior transparência e eficiência, a mobilização eficiente das poupanças domésticas (15,7% do PIB) para financiamento de investimentos produtivos.
É realçado o desenvolvimento do Mercado de Capitais local, a promoção de instrumentos de mitigação de risco (garantias) e de financiamento misto (blended finance), o financiamento climático (através da adesão aos mercados de crédito de carbono, Obrigações Sustentáveis) e acelerar as Parcerias Público-Privadas (PPP).
A publicação sistemática do Relatório do Foco do País reforça, no que toca à resiliência e consolidação fiscal, um crescimento económico de 3,1% em 2025, sustentado pelo sector Não-Petrolífero que cresceu 5,1%.
Para 2026, as perspectivas económicas são positivas impusionadas pelo forte crescimento do sector Não Petrolífero que registou uma expansão de 9,24% no primeiro semestre de 2026 e reforçada pelo sector Petrolífero que cresceu 5,64% no mesmo período.
“Como corolário desta conjuntura positiva, o Banco Nacional de Angola reviu em alta o crescimento económico para 6,15%, muito acima da projecção inicial de 3,6% em Julho de 2026, e bem como das Perspectivas Económicas para África de 2026, do BAD que indicavam para um crescimento moderado de 2,9% em 2026 e 3,3% em 2027”, destaca.
O comunicado dá nota da redução expressiva da Dívida Pública de 119% em 2020 para menos de 50% do PIB em 2025, como resultado duma gestão prudente das Finanças Públicas; ao mesmo tempo que a inflação registou uma trajectória de redução de 25,8% para 8,78%.
Reformas estruturais
A fonte sinaliza o alinhamento institucional entre as prioridades nacionais de desenvolvimento e a importância que o BAD atribui ao processo de implementação de reformas estruturais em Angola.
Citado pela nota, o representante residente do BAD para Angola e São Tomé e Príncipe, Pietro Toigo, destaca que o documento “reflecte o nosso empenho colectivo na preparação de análises económicas que representam um testemunho claro do nosso compromisso em trazer resultados baseados em evidências, permitindo a identificação e implementação de reformas estruturais indispensáveis para alcançar um crescimento inclusivo e sustentável para Angola”.
A carteira do BAD em Angola é, actualmente, estimada em 1,5 mil milhões de dólares integra projectos estratégicos nos sectores da Energia, Aguas e Saneamento, Transportes, Agricultura, Finanças, Sector Social e Meio Ambiente, visando o crescimento económico sustentável e a melhoria das condições de vida da população. &




