Angola precisa diversificar as fontes de financiamento do desenvolvimento para reduzir a dependência do crédito bancário e criar maior capacidade de mobilização de recursos para investimentos, recomenda o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
A recomendação consta do relatório sobre as perspectivas económicas de Angola para 2026, no qual a instituição apresenta um conjunto de medidas de curto, médio e longo prazo para fortalecer o financiamento do desenvolvimento nacional.
Entre as propostas do BAD estão a mobilização de recursos fiscais, a atração de capital privado global e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais, incluindo através do mercado de carbono.
Para uma instituição financeira, a diversificação das fontes de financiamento deve ser acompanhada por um ambiente regulatório previsível, processos de contratação pública transparentes, reforço da capacidade local e políticas de investimento mais direcionadas.
No curto prazo, o BAD aponta a necessidade de melhorar a estabilidade da liquidez externa, através do financiamento do comércio de combustíveis, produtos alimentares e exportações. A instituição recomenda igualmente a simplificação dos mecanismos de registo para facilitar a formalização da actividade económica.
Para o prazo médio, o banco recomenda uma reforma do mecanismo de execução do orçamento de capital e do reforço das finanças públicas, de modo a melhorar a capacidade de financiamento dos projectos de desenvolvimento.
No setor financeiro, o BAD defende o aprofundamento da integração regional através de sistemas de pagamentos interoperáveis e a criação de alternativas ao crédito bancário tradicional.
A instituição recomenda ainda o alargamento das operações de financiamento destinadas às pequenas e médias empresas, considerando importantes para a diversificação da actividade económica e para a criação de emprego.
O BAD considera que a mobilização de capital privado, o reforço dos recursos internos e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais podem ampliar as fontes disponíveis para financiar o desenvolvimento de Angola.
As recomendações fazem parte de um roteiro faseado que procura melhorar a capacidade do país de mobilizar recursos e criar condições para um financiamento mais diversificado e sustentável da economia.




