A produção de drones em Angola é um desafio que pode concretizar-se em breve, com prioridade direccionada aos sectores da agricultura e da exploração mineira.
A afirmação é do presidente da Associação para a Promoção, Desenvolvimento, Prosperidade e Tecnologia (PDPT), Pedro Godinho, ontem, em Luanda. O responsável explicou que a organização pretende, a curto prazo, fomentar a indústria robótica no país. Para isso, aposta na capacitação de 50 jovens angolanos que beneficiam, actualmente, de formação especializada em Angola e no estrangeiro. O programa de especialização é desenvolvido em parceria com engenheiros do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISUTIC). Como parte desta iniciativa, um grupo de estudantes recebeu bolsas de estudo para os Estados Unidos em 2024. Contudo, a maior parte da formação será ministrada em solo nacional, com a vinda de um especialista estrangeiro que permanecerá no país para complementar o treinamento. O programa conta com o apoio do Governo e de instituições públicas e privadas empenhadas em criar soluções automatizadas locais. Em declarações ao Jornal de Angola, Pedro Godinho sublinhou que a jornada começou em 2021, com a identificação de talentos enviados posteriormente para universidades especializadas. “A educação é a única ferramenta com potencial para mudar a vida das pessoas e, naturalmente, a dinâmica de qualquer país”, defendeu. Quanto ao horizonte temporal, o líder da PDPT informou que o avanço dependerá do dinamismo e dos recursos disponibilizados pelos parceiros. “Os mentores querem o projecto estruturado até Dezembro deste ano. Com os talentos preparados e os recursos financeiros mobilizados, daremos seguimento ao processo”, detalhou, garantindo que, com as condições criadas, é possível desenvolver protótipos de drones ou robótica em menos de 12 meses. Por sua vez, o especialista norte-americano Héctor Medina destacou que o foco central da iniciativa não se esgota na instrução directa dos estudantes. Segundo o engenheiro mecânico, a estratégia passa, obrigatoriamente, por capacitar e dotar o corpo docente local de competências avançadas, criando uma rede de professores qualificados que darão suporte contínuo e sustentável aos jovens talentos angolanos no futuro. O especialista reforçou que o plano de acção está meticulosamente desenhado e que, assim que o projecto receber a aprovação final das entidades competentes, os trabalhos de desenho industrial, modelagem e engenharia robótica começarão de imediato em solo nacional. Medina explicou que o processo seguirá padrões internacionais de inovação tecnológica para garantir a autonomia dos formandos. “O nosso compromisso é de longo prazo. Vamos desenvolver todo o programa curricular, treinar os professores localmente e fazer um acompanhamento rigoroso e passo a passo de todas as etapas para assegurar que a implementação prática do projecto seja um verdadeiro sucesso e gere impactos reais na economia angolana”, garantiu.




