O país recebeu 223.140 turistas internacionais, em 2025, um crescimento de 28 por cento face a 2024, ultrapassando, pela primeira vez, os níveis registados antes da pandemia da Covid-19.
A informação foi avançada na sexta-feira, em Luanda, pelo secretário de Estado para o Turismo, Augusto Kalikemala, tendo destacado que o país tem registado um desempenho num contexto de crescimento do turismo africano.
Segundo os dados apresentados pelo governante, o turismo mundial registou cerca de 1,5 mil milhões de chegadas internacionais, enquanto África cresceu oito por cento, no primeiro semestre de 2026.
Entretanto, Augusto Kalikemala sublinhou que o crescimento mundial abrandou para 0,4 por cento, condicionado pelo conflito no Médio Oriente, aumento dos preços do petróleo e combustíveis e perturbações no transporte aéreo.
África manteve, ainda assim, um crescimento de cerca de quatro por cento, acima da média mundial.
Apesar do crescimento das chegadas, Augusto Kalikemala considera que os 223 mil turistas constituem ainda um número reduzido perante a dimensão e o potencial do país.
OCUPAÇÃO HOTELEIRA
A taxa média de ocupação hoteleira de 72,6 por cento, em 2025, demonstra, por outro lado, que a procura começa a pressionar a capacidade de oferta existente.
No domínio da formação, o programa Capacita Turismo já está presente nas 21 províncias, tendo permitido capacitar 2.100 agentes públicos em boas práticas de acolhimento de turistas.
O turismo de negócios constitui outra frente de aposta. Em Maio foi lançada a marca “Meet Angola” e assinado um Memorando de Entendimento com a Associação Internacional de Congressos e Convenções.
Em Junho, o país acolheu o Global Tourism Forum Angola Investment Summit, onde o Ministério do Turismo e a ONU Turismo apresentaram o guia de investimento “Doing Business Invest in Angola”.
A inauguração, em Agosto, do Palácio de Convenções, com capacidade para mais de 3.000 pessoas, reforçou a capacidade do país para acolher grandes eventos internacionais.
MEDIDAS ESTRUTURANTES
O Executivo estruturou cinco eixos de intervenção para responder aos desafios do sector, nomeadamente Capacita, Comunica, Simplifica, Planifica e Reclassifica Turismo, com foco no aumento da oferta, atracção de investimento e transformação dos recursos turísticos em negócios.
O secretário de Estado para o Turismo, Augusto Kalikemala afirmou que a estratégia passa igualmente pelo ordenamento dos principais activos turísticos, tendo avançado que foram concluídos relatórios de diagnóstico para o Mussulo, Calandula, Ponta do Padrão, Cabo Ledo, Serra da Leba e Baía dos Tigres, criando uma base para a preparação de investimentos públicos e privados.
Na estratégia de dinamização do investimento privado no turismo, o Executivo definiu quatro frentes prioritárias, Hotelaria, Negócios e Turismo de Negócios a partir de Luanda, desenvolvimento do estilo de vida costeiro atlântico.
O destaque recai para Cabo Ledo e Mussulo, Turismo de Natureza, conservação e experiências em destinos como Serra da Leba, Tundavala e Calandula e requalificação dos activos turísticos e hoteleiros existentes.
A estratégia prevê a mobilização de operadores hoteleiros, fundos de investimento especializados, instituições financeiras de desenvolvimento, capital lusófono, investidores do Golfo, capital nacional e da diáspora, em articulação com a AIPEX e os governos provinciais.
Para o secretário de Estado, o desafio da próxima fase consiste em transformar o potencial turístico em procura efectiva e o interesse dos investidores em projectos concretos, acompanhando indicadores como o gasto médio e a receita gerada por cada turista.
TURISMO INTERNO
Segundo Augusto Kalikemala, o Executivo pretende também aumentar a participação dos angolanos no turismo interno.
Para o efeito, foram lançadas, em parceria com o Standard Bank Angola e o Banco Millennium Atlântico, iniciativas destinadas a facilitar o pagamento das férias pelas famílias e a disponibilizar financiamento aos operadores turísticos para a aquisição de equipamentos e capital de giro.
O governante destacou ainda que a integração dos primeiros operadores nestes mecanismos arrancou em Agosto, com o objectivo de estimular a procura interna e reduzir a sazonalidade do sector. &




