Angola consolidou os ganhos de estabilidade macroeconómica registados nos últimos anos e apresenta sinais de aceleração do crescimento, segundo o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos.
O responsável falava quinta-feira, 24 de Setembro, durante o Angola Economic Forum (AEF), no painel dedicado ao tema “Angola e o FMI: Estabilidade Macroeconómica, Reformas e Desafios do Crescimento”.
Entre os principais indicadores apresentados está a inflação, que passou de 27,5% no final de 2024 para 15,7% em 2025 e 8,78% em Agosto de 2026.
A dívida governamental também registou uma redução, passando de 97,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 para 51,2% no segundo trimestre de 2026.
Segundo Ottoniel dos Santos, a economia angolana cresceu 8,7% no segundo trimestre deste ano, impulsionada pelo avanço de 9,2% da economia não petrolífera e pela recuperação do sector petrolífero.
O cenário base apresentado pelo responsável aponta para um crescimento superior a cinco por cento em 2026.
Apesar dos resultados, o secretário de Estado alertou para a necessidade de continuidade das reformas e de disciplina na gestão das finanças públicas, sobretudo devido ao aumento do serviço da dívida.
Para 2026, o serviço da dívida está estimado em 15,2 biliões de kwanzas, valor equivalente a cerca de 84% das receitas fiscais previstas.
Neste contexto, a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo 2026-2028 prevê o alongamento das maturidades da dívida, o reforço do mercado interno e a redução da exposição ao risco cambial.
A estratégia estabelece ainda como referência a manutenção da dívida pública abaixo de 60% do PIB.
Na diversificação da economia, Ottoniel dos Santos apontou a agricultura, indústria transformadora, transportes e logística, mineração, energia, telecomunicações e serviços financeiros como sectores com potencial para sustentar o crescimento.
O Corredor do Lobito foi igualmente destacado como uma plataforma estratégica para a atracção de investimento privado.
O secretário de Estado referiu também avanços em áreas como a reforma tributária, a supervisão bancária, a transparência fiscal e a prevenção do branqueamento de capitais.
No âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), foram privatizados 121 dos 130 activos previstos, segundo os dados apresentados no fórum.
Para a próxima fase, Ottoniel dos Santos apontou três prioridades: disciplina fiscal, gestão activa da dívida e maior participação do sector privado no crescimento económico.
“A estabilidade que conquistámos deu-nos tempo. Cabe-nos agora usá-lo bem”, afirmou.
O Angola Economic Forum realiza-se anualmente e reúne decisores políticos, convidados internacionais, académicos, empresários e representantes da sociedade civil para discutir os principais desafios e prioridades da economia angolana.




